Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de fevereiro de 2021
O “Epicovid19”, estudo que busca estimar o número de pessoas que já contraíram o coronavírus no Rio Grande do Sul, terá mais duas etapas, agora com um novo método: além dos testes rápidos e entrevistas, será incluído um novo exame de anticorpos para o coronavírus. A primeira fase começa na sexta-feira (5) e prossegue ao longo do fim de semana. Já a segunda está marcada para abril.
O funcionamento da pesquisa segue o mesmo do ano passado: entrevistadores coordenados pelo Instituto de Pesquisa e Opinião (IPO) visitam as casas de 4,5 mil famílias em nove municípios gaúchos (Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Pelotas, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana), convidando moradores a realizar os testes e responder a um breve questionário sobre ocorrência de sintomas e acesso a serviços de saúde.
“Na prática, quase nada muda para quem participa da pesquisa”, ressalta o governo gaúcho. “A partir de um único furo na ponta do dedo do participante, os entrevistadores coletam as amostras sanguíneas tanto para o teste rápido quanto para o novo.
Em seguida, três gotas da amostra são depositadas em sequência em uma fita de papel-filtro. Após absorção e secagem (15 minutos), o material é acondicionado em sacos plásticos vedáveis e encaminhado para análise pelo Laboratório de Vacinologia do Núcleo de Biotecnologia da Universidade Federal de pelotas (UFPel). O tempo previsto para processamento dos resultados é de uma semana.
Já para o teste rápido, uma gota da amostra é colocada no aparelho do exame, que faz a leitura em aproximadamente 15 minutos. O participante conhece o resultado na hora.
Único estudo populacional sobre coronavírus no mundo a realizar oito fases de acompanhamentos com a população das mesmas cidades, o “Epicovid19 é coordenado pela UFPel junto com o governo do Estado. Dentre os seus objetivos estão:
– Estimar o percentual de gaúchos infectados;
– Avaliar a velocidade de expansão da infecção;
– Fornecer indicadores precisos para cálculos da letalidade;
– Determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas.
Novo método
A decisão de incluir o método de testagem desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) baseia-se numa maior precisão do exame para identificar a presença de anticorpos do coronavúrus, especialmente em casos de infecções mais antigas.
Em um estudo comparativo realizado pelos pesquisadores da UFPel, o teste – denominado “S-UFRJ” – apresentou alta sensibilidade e estabilidade (cerca de 92%) para detectar anticorpos mesmo após cinco meses da infecção. Já os testes rápidos, utilizados em outros estudos populacionais, mostraram quedas substanciais de sensibilidade para identificar anticorpos depois de três a quatro meses da infecção.
“Testes sorológicos, do tipo que detectam a presença de anticorpos no soro sanguíneo, são fundamentais em contextos de surtos de doenças infecciosas”, explica a epidemiologista Mariângela Silveira, integrante da equipe de cientistas da UFPel que coordena a pesquisa.
“Eles têm o potencial de identificar a real prevalência da infecção, permitindo que medidas como a taxa de mortalidade sejam calculadas com precisão e estratégias de enfrentamento da pandemia sejam tomadas com base em evidências”, acrescenta.
Parceiros
São financiadores da iniciativa o programa “Todos pela Saúde”, Banrisul, Instituto Serrapilheira, Unimed Porto Alegre e Instituto Cultural Floresta. A pesquisa mobiliza uma rede de 12 universidades públicas e privadas do Estado:
Universidade de Caxias do Sul (UCS), Imed, Universidade de Passo Fundo (UPF), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade La Salle (Unilasalle) e Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí).
(Marcello Campos)
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