Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de novembro de 2017
O planeta Terra é uma esfera rochosa que contém, em seu interior, ferro líquido incandescente, em constante movimento e carregado eletricamente.
Essas correntes elétricas geram um campo magnético que envolve o planeta e protege a Terra contra a radiação espacial – mais especificamente, do Sol.
Para se ter uma ideia da importância desse escudo protetor, basta observar o que acontece em outros planetas.
“Marte, por exemplo, tem um campo magnético muito fraco, por isso não tem muita atmosfera. Os ventos solares levaram embora toda a atmosfera do planeta. Essa é uma diferença crucial entre a Terra e Marte. Nosso campo magnético cria uma bolha protetora dentro da qual todos nós podemos viver”, explica o geofísico Phil Livermore, professor e pesquisador da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra.
A “bolha protetora”, no entanto, está sujeita a instabilidades e muda constantemente. Ao longo de sua história, o planeta Terra vivenciou centenas de episódios conhecidos como “reversões magnéticas”, nos quais a bolha perde força e os polos magnéticos norte e sul trocam de lugar.
“Quando o centro da Terra está estável, sem grandes mudanças, a polaridade norte e sul se mantém. Mas, de repente, acontece alguma coisa, uma ‘tempestade’ no centro da Terra, que afeta esse equilíbrio”, diz Livermore.
Segundo ele, as tempestades são como redemoinhos de líquido – tal qual as tempestades que ocorrem na atmosfera – associados a mudanças no campo magnético local.
“Basicamente, elas afetam o equilíbrio, assim como tempestades na atmosfera.”
“Isso faz com que uma área de polaridade reversa cresça. Se essa área cresce o suficiente, (a polaridade de) todo o centro será revertida”, afirma o especialista.
Também podem ocorrer reversões temporárias e incompletas, nas quais os polos magnéticos se distanciam dos polos geográficos. Às vezes, chegam a cruzar o Equador – e depois voltam para suas posições originais, conta Livermore.
Quando será?
Para os especialistas, a questão é saber quando acontecerá a próxima reversão e como isso afetará a população.
Livermore e seus colegas calculam que uma nova reversão magnética é iminente. E baseiam suas suposições em algumas pistas.
Estudos indicam que o campo magnético da Terra vem encolhendo 5% a cada século. Durante uma reversão magnética, o campo protetor da Terra fica bastante reduzido, podendo chegar a apenas 10% de sua força.
Além disso, vestígios deixados por reversões magnéticas em rochas muito antigas mostram que as reversões acontecem algumas vezes a cada 1 milhão de anos.
A última reversão completa, a Brunhes-Matuyama, ocorreu há 780 mil anos. Uma reversão temporária, o evento Laschamp, aconteceu há 41 mil anos.
Com base nesses fatores, os cientistas concluíram que “está na hora” de acontecer mais uma reversão.
Mas não há motivo para pânico.
“O que sabemos é que a reversão não vai acontecer amanhã”, diz Livermore.
“Só temos os vestígios deixados nas rochas como pista, mas, com base neles, calculamos que levou mil anos para (ocorrer a) a última reversão completa. Então, mesmo se ela começasse hoje, ainda levaria um bom tempo.”
Por que então dizer que a próxima reversão é iminente? Mil anos, em escala humana, é muito tempo. Mas na escala da Terra, não significa nada, acrescenta o geofísico.
Sobrevivência humana
A boa notícia, segundo o especialista, é que a vida na Terra sobreviveu a centenas de reversões magnéticas ao longo da história do planeta.
“Humanos sobreviveram ao evento Laschamp (que não foi uma reversão completa) há 41 mil anos. Ele durou mil anos e a mudança na polaridade durou cerca de 250 anos”, afirma.
Sem eletricidade e sem GPS
Em artigo publicado no site The Conversation, Livermore diz, no entanto, que não é possível saber ao certo o real impacto de uma reversão completa sobre a espécie humana, já que o homem moderno não existia durante a última reversão magnética completa, há quase 800 mil anos.
Mas os cientistas fazem algumas previsões.
As alterações no campo magnético da Terra durante uma reversão enfraquecerão seu efeito de escudo, levando a um aumento nos níveis de radiação na superfície da Terra.
Se isso acontecesse hoje, a radiação poderia afetar a frota de satélites de comunicações, aviões e a rede elétrica.
Sem satélites, sistemas bancários, meteorologia, comunicações, operações militares, tecnologias à base de GPS, tudo isso deixaria de funcionar.
Com a rede elétrica comprometida, sistemas de aquecimento, aparelhos de ar-condicionado, transportes, hospitais e indústrias também seriam afetados.
Animais que, supostamente, usam o campo magnético da Terra para orientação – como baleias e algumas espécies de pássaros – também seriam atingidos, sugerem alguns especialistas.
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