Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2015
Os consumidores levaram um susto com a escalada do dólar em 2015, que levou a moeda americana para o patamar dos 3 reais. Com isso, as viagens ao exterior, incluindo os gastos com hotéis e passagens, passaram a ser revisadas.
Para evitar perder esse viajante, as companhias aéreas intensificaram as promoções e fizeram valer a lei da oferta e demanda, segundo a qual os preços de um produto caem quando a procura por ele é menor. Esses descontos têm possibilitado encontrar passagens aéreas com os mesmos preços, em reais, que os praticados no ano passado, ou até um pouco mais em conta.
Levantamento da agência de turismo Decolar.com mostra que houve uma queda significativa em diversos trechos internacionais. Levando em conta as aquisições feitas em meados de abril, a redução do preço, em dólares, chega a 40%. Isso ajuda a amenizar a valorização da moeda americana no período, que é de cerca de 35% em 12 meses, e a atrair compradores, principalmente na baixa temporada – os descontos são mais raros em épocas de maior procura, como as férias de julho.
A estratégia, segundo analistas, é compreensível, já que, nos últimos anos, as companhias aéreas aumentaram a sua rentabilidade (o chamado yield). Agora, elas têm espaço para dar alguns descontos e manter o avião cheio, o que ajuda a reduzir os custos fixos.
No caso da Gol, que tem uma parcela de seus voos destinada ao mercado internacional, o analista Mario Bernardes Junior calcula que a rentabilidade, o yield, passou de 0,19 real, em 2011, para aproximadamente 0,27 real no ano passado. Ele explica que parte desse ganho está atrelado justamente aos trechos operados para o exterior, que são mais lucrativos, já que a carga de impostos sobre o combustível é menor.
Combustível em queda.
E se parte dos custos das companhias está vinculado ao dólar, como combustível, leasing e seguros, outra parcela importante, de aproximadamente 40%, está atrelada às variações de preço do querosene de aviação. Este acumula uma queda de quase 40% em 12 meses.
As companhias preferem não comentar as estratégias de promoção e o efeito nas margens. Para a Gol, há um esforço em oferecer tarifas competitivas. “Está no DNA da empresa disponibilizar tarifas competitivas e, com isso, oferecer mais acesso e estimular o mercado”, informou a empresa.
Já a TAM afirmou que o ano de 2015 será desafiador e que manterá o foco em rentabilidade. Mas, ao mesmo tempo, admitiu a possibilidade de fazer ajustes em suas tarifas, conforme a demanda. “Isso permite à empresa continuar a oferecer tarifas ao mesmo tempo atraentes para o consumidor e rentáveis para a empresa”, afirmou a TAM em nota. A companhia, nas últimas semanas, chegou a ofertar assentos para destinos nos Estados Unidos e na Europa abaixo dos 2 mil reais.
O economista Paulo Vicente dos Santos Alves afirma que esses descontos também são necessários porque, diferentemente de outras indústrias, na aviação comercial não é possível aumentar ou reduzir a oferta com rapidez. (AG)
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