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Economia A compra de carros usados cresce em 2021 com condições de financiamento mais vantajosas

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O automóvel usado já sobe há 20 meses, com alta acumulada de 22,66%. (Foto: Reprodução)

O brasileiro resolveu voltar a comprar carro, e o principal alvo são veículos usados. Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), as vendas de automóveis seminovos e usados este ano já superaram em 2,4% aquelas registradas nos dois primeiros meses do ano passado. Somente em fevereiro, foram 13% a mais de negócios fechados em comparação com o mesmo período de 2020.

“Percebemos que o consumidor não abandonou o desejo de comprar, apenas adiou esse desejo enquanto as informações sobre a pandemia ainda eram poucas ou confusas. Na medida em que a situação foi se estabilizando, o consumidor retomou seu desejo de comprar um veículo, até por segurança, pois tinha receio de usar transportes públicos lotados, como o metrô e ônibus, e também veículos de aplicativos”, afirma o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos.

A opção por veículos seminovos e usados também é explicada pela falta de carros zero no mercado. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção caiu 31,6% em 2020.

“Atualmente, a demanda por veículos é maior que a oferta. Em parte, porque, por problemas de produção, estão sendo lançados no mercado menos veículos novos. Com isso, o consumidor está buscando o usado”, afirma Robson Martinho, superintendente digital.

Apesar do preço dos carros não estarem muito atrativos, as condições de financiamento estão. Os bancos estão facilitando o crédito, os juros estão mais baixos e é possível financiar até 100% do veículo. Com isso, a concessão de crédito cresceu 13% nos primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. E deve continuar crescendo.

“O mercado deve manter um ritmo de crescimento ao longo do ano, impulsionado principalmente pelos segmentos de veículos leves usados e de veículos pesados”, afirma Rodnei Bernardino de Souza, diretor do Itaú Unibanco.

Carros usados

Os veículos mais velhinhos são os que tiveram maior crescimento na procura. Aqueles com 13 anos de uso ou mais tiveram alta de 34,8% nas vendas. Os maduros, com 9 a 12 anos de uso, 27,7% de aumento. As vendas dos seminovos, com zero a três anos de uso, subiram 9%. A única variação negativa foi na faixa dos usados jovens, com quatro a oito anos de uso: -0,2%. Os usados mais vendidos no mês passado foram Gol, Palio, Uno, Fiesta e Celta, que representaram juntos uma fatia de 26,63% das negociações.

Comprar de casa

Na pandemia, plataformas de compra de veículos novos e usados cresceram como opção para quem quer buscar produtos e fechar negócio sem sair de casa.

É mais uma opção para a demanda por compra. Segundo uma pesquisa da plataforma, com 2.103 pessoas, 95% queriam trocar de carro este ano. O principal motivo é porque o carro está velho (37%), seguido pelo costume de trocar de carro (35%), crescimento da família (18%), para evitar o covid-19 (8%) e para trabalhar com táxi ou aplicativos de corrida (6%).

Como forma de pagamento, 64% afirmaram que financiariam uma parte, enquanto 27% comprariam à vista, 5% financiariam 100% do carro e 4% adquiririam por meio de um consórcio. Já dos que não tinham carro, 90% queriam comprar em 2021.

Momento de comprar

Quando a pergunta é se o momento é bom para adquirir um veículo, a resposta depende da necessidade do consumidor. Se uma empresa precisa renovar sua frota, é melhor adiantar a compra, pois o cenário econômico até o fim do ano deve piorar. Se conseguir esperar por três anos, deve fazer isto. Para as famílias, a orientação é adiar o negócio.

Isto ocorre em parte porque o Copom do Banco Central decidiu aumentar a meta da taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, de 2% para 2,75%. Mas os analistas apontam que ela deve chegar em 3,5% até o fim de 2021.

“Então, é um momento pior do que antes, mas provavelmente melhor do que o que virá. Além disso, a taxa de financiamento de veículos também é uma variável importante nesta decisão e deve ficar mais cara, já que é impactada pela condição de financiamento das famílias, que deve piorar por causa da Selic e da redução do auxílio emergencial”, explica Eduardo Amendola, economista e professor da Estácio.

O estoque de veículos novos à venda no país também aumentou na pandemia, o que reduziu os preços. Mas eles devem voltar a subir em breve.

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