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Brasil Condenada por torturar criança, uma procuradora aposentada foi presa no Rio de Janeiro

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Vera Lúcia de Sant’anna Gomes estava foragida. (Foto: Divulgação)

Policiais civis cumpriram nesta quinta-feira (17) dois mandados de prisão contra a procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’anna Gomes pelo crime de tortura de uma criança de dois anos de idade, em 2010. A vítima era uma menina da qual a procuradora tinha a guarda provisória e que tentava adotar.

A procuradora foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro e presa naquele mesmo ano. Em 2014, ela foi solta por decisão da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), mas voltou a ter sua prisão, em regime semiaberto, decretada em 2016, pela Justiça fluminense.

Desde então, ela era considerada foragida. Depois da prisão desta quinta-feira, segundo a Polícia Civil, Vera Lúcia passou mal quando era encaminhada à Cidade da Polícia, na zona norte da cidade. Ela foi levada para o Hospital Copa D’Or, na zona sul da cidade, onde está sob custódia de policiais da DC-Polinter (Divisão de Capturas e Polícia Interestadual).

Entenda o caso

O caso de tortura foi denunciado pelos empregados da procuradora. Eles afirmaram que ela agredia fisicamente e a menina. A criança foi encontrada pelo Conselho Tutelar no apartamento de Vera Lúcia com sinais de maus tratos. O Laudo de Exame de Corpo Delito e o boletim médico assinado por médicos da emergência pediátrica do Hospital Miguel Couto, onde a criança foi levada, comprovaram as agressões.

Em sua decisão, o juiz afirmou que as provas “praticamente incontestáveis, vez que colhidas na própria residência da ré por uma juíza de Direito e depois traduzidas em imagens pelas fotos já mencionadas, não deixam nenhuma dúvida de que a pequena vítima não só foi, como vinha sendo frequentemente e permanentemente castigada ao longo do quase um mês em que permaneceu sob a guarda da acusada.”

Culpa da imprensa

Ainda nos primeiros interrogatórios de 2010, ao juiz Mario Henrique Mazza, da 32º Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, a procuradora aposentada Vera Lúcia Sant’Anna Gomes negou todas as acusações da denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual, disse desconhecer como as lesões apareceram na criança e atribuiu à imprensa todo o sofrimento pelo qual vem passando.

“Há apenas um fato verdadeiro na denúncia. Eu realmente xinguei a menina por estar muito nervosa. Me arrependo profundamente. Nunca bati nela, nunca a agredi. O resto é culpa da imprensa, que vem fazendo sensacionalismo com o caso. Já me sinto julgada e condenada pela mídia. Hoje sou jurada de morte. Nem no presídio posso circular livremente”, disse a ré.

Ao ser indagada pelo juiz Mário Henrique Mazza sobre o que teria levado as quatro empregadas a acusá-la, Vera Lúcia não soube responder. Para a procuradora aposentada, que afirmou ter dificuldades na relação com empregados, ela está sendo vítima de um complô.

“Também gostaria muito de saber por que estão fazendo isso. Para mim, isso é um grande mistério. Acredito que a relação patroa-empregada é muito complicada. Ainda mais entre mulheres. Há muito inveja, ciúmes”, finalizou.

Testemunhas

A primeira testemunha de acusação a depor foi a ex-empregada doméstica da procuradora, Luzia. Ela contou que Vera Lúcia já havia comentado que gostaria de adotar uma criança para ter para quem deixar sua herança, por não ter marido, filhos, nem pais.

Segundo a empregada, Vera Lúcia batia no rosto da criança quando, de manhã, ela não respondia ao seu “bom dia”; quando se assustava com os bichos da casa – dois gatos e um cachorro – e quando não queria comer toda a refeição que estava no prato. Luzia disse ainda que várias vezes a procuradora agredia verbalmente a menina, chamando-a de “vaquinha”, “cachorra”, “prostituta igual à mãe”, entre outros xingamentos.

Outra testemunha, a doméstica Sidilania, confirmou ter presenciado várias agressões físicas e verbais contra a criança, sendo que em uma delas a menina ficou com a boca sangrando devido a um forte tapa dado em seu rosto pela procuradora. A diarista Camila, que trabalhou durante um fim de semana na casa da procuradora, disse também ter visto a ré dar tapas na criança.

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