Quinta-feira, 01 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Conferência Nacional da Educação-CONAE

Compartilhe esta notícia:

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A Conferência Nacional de Educação-CONAE é uma espécie de lugar de fala dos principais protagonistas do setor, um dos mais importantes eventos educacionais do país, – a voz de professores, estudiosos e entidades, que se manifesta em documento final, base de um plano para a educação do país em 10 anos. O Plano Nacional é elaborado pelo Ministério da Educação e depois , vai ao Congresso Nacional, que tem a última palavra sobre a matéria.

 

Da Conferência saiu um texto previsível, uma vez que o CONAE é um espaço hegemônico das esquerdas. Como era de se esperar prevaleceu a concepção política que, em essência, prioriza o papel do estado na educação e denuncia o que considera a influência perniciosa do neoliberalismo no setor. Sim, o mau e velho neoliberalismo, a quem se costuma atribuir, na visão das esquerdas, toda a maldade de que é capaz o capitalismo.

 

Mesmo sendo um ambiente dominado pelas esquerdas, não faltaram críticas e nem apupos para o ministro da Educação do governo Lula, Camilo Santana. As esquerdas, que reclamam com razão da direita e de suas ideias mirabolantes, alimentam elas mesmas teorias conspiratórias, como a lenda de que é o mega investidor Jorge Paulo Lemann quem dá as cartas no MEC.

 

As esquerdas encaram a educação como uma arena de luta política e não como uma ferramenta estratégica para alavancar o desenvolvimento econômico, para a superação da pobreza, a criação e distribuição da renda e da riqueza – como fazem os países que deram certo. Assim, um evento da magnitude do CONAE não serve ao propósito de superar o atraso e as mazelas do setor, senão para a afirmação de dogmas ideológicos e de uma visão de mundo.

 

A discussão se perde no embate das hegemonias, onde o que se pretende é demonstrar o caráter hediondo do “sistema” – ao invés de observar e estudar as formas concretas através das quais os países ricos e desenvolvidos superaram as dificuldades que um dia tiveram.

 

A educação para essa tribo é tão somente um meio de forjar a “consciência crítica”, a formação de uma certa e bem definida forma de “cidadania” e não uma ferramenta para alcançar a prosperidade material e uma vida decente para todos. Não é por outra razão que prevalece entre nós na formação “humanística”, bacharelesca, livresca, e que se pratica no quadro de predomínio das ciências sociais.

 

Nada contra as ciências sociais. É através delas que nos olhamos no espelho do tempo, os arranjos institucionais, o ordenamento do nosso espaço de vida e convivência, a formação das comunidades nacionais, a tessitura lenta de nossa identidade. Mas é pacífico que são as ciências exatas – matemática, física, química, biologia – que ditam o rumo da inovação e da tecnologia, as chaves contemporâneas do progresso e da prosperidade.

 

No CONAE, a questão central da era do conhecimento e da tecnologia foi apenas tangenciada. O debate foi acalorado mais para denunciar a intentona golpista de 2023, o”golpe” do impeachment da Dilma, as mudanças do ensino médio e do currículo feito no governo Temer, as maldades e imposturas da direita e do conservadorismo. Educação? Fica para mais tarde.

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Companheiro de personal trainer morta em Montenegro vira réu por feminicídio
Apesar da polarização radical, brasileiros não abrem mão da democracia
Pode te interessar