Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de janeiro de 2024
Esticar o dinheiro do salário até o fim do mês é o desafio de grande parte dos brasileiros. Cada um tem uma receita na ponta da língua. Vale tudo: de pedir desconto na consulta médica a tomar banho frio, passando por tirar os eletrodomésticos da tomada ao sair de casa e fazer compras semanais para evitar o desperdício de alimentos. Veja a seguir algumas estratégias de consumidores e dicas de especialistas para ajudar na economia.
Para Alex Modesto, diretor de Gestão da Agir Contábil, as principais estratégias para redução de gastos fixos em casa envolvem comprometimento de todos e muito diálogo:
“Para quem mora sozinho, é mais fácil acender menos luzes, gastar menos água ou ter um plano de internet que atenda melhor às necessidades. Para famílias maiores, o ideal é que todos contribuam e, em acordo, tracem planos para evitar contas altas.”
Luciano Bravo, CEO da Inteligência Comercial e gerente nacional da Savel Capital Partners, cita a necessidade de se criar uma reserva financeira. Mas, para garantir a quitação das despesas mensais essenciais e ainda reservar parte do salário, é preciso que se defina um objetivo, alerta ele:
“Planeje quitar uma dívida longa, comprar um carro ou um apartamento ou custear um estudo. Com um objetivo, inicia-se a adequação financeira para realizar o sonho, com economias mensais.
Nem sempre, porém, o orçamento da família vem do emprego de carteira assinada. Para os empreendedores, esticar o dinheiro é um duplo desafio – dentro do negócio e na vida familiar, e sem misturar essas finanças.”
“É direito e dever abrir uma conta separada para a empresa. Assim, os ganhos pessoais entram na conta aberta com o CPF, e o que é do negócio entra na conta do CNPJ”, diz o coordenador de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae Rio, Marcos Mendes: “Deve-se estipular um salário ou um mínimo viável para o empreendedor, com a noção do quanto a empresa suporta de retirada. Afinal, é dela que ele vai tirar seu sustento e, para isso, o negócio deve estar saudável.”
Veja o depoimento de Jaqueline Matos, administradora e motorista, de 42 anos: “Eu trabalhava com uma empresa de eventos até a chegada da pandemia. Foi quando o negócio fechou por causa do isolamento social, e precisei me reinventar. Já fazia renda extra trabalhando como motorista de aplicativo, e a atividade adicional virou a principal fonte de renda da minha casa. Ao trabalhar com transporte de passageiros, fui percebendo uma necessidade que havia no mercado de transporte: a segurança. Segurança para as motoristas mulheres e segurança também para os passageiros e as passageiras. Então, eu e minha sócia, Jussara, criamos um coletivo de mulheres que fazem transporte por agendamento para outras mulheres, seus filhos, seus parentes idosos etc. O orçamento familiar tem que ser bem justo para acomodar todos os gastos, incluindo os que tenho com minha filha de 12 anos. Outras medidas que adoto no dia a dia é evitar fazer compras de mês no supermercado. Prefiro fazer compras semanais para evitar o desperdício de alimentos. Além disso, quando viajo com minha filha, evito compra de passagem e hospedagem em períodos de alta temporada para não pagar mais caro. Compras de vestuário e calçados, nós só fazemos quando estamos realmente precisando. Outra questão é sempre que possível evitar compras parceladas, prefiro o pagamento à vista.”
Confira também o que diz Orlando Maciel, técnico de Enfermagem, de 66 anos: “Ganho cerca de R$ 100 a mais do que gasto. Quando quito as contas mensais, pouco sobra. Então, para completar meu salário, trabalho no mercado informal sempre que tenho oportunidade, nas horas vagas da minha função como técnico de enfermagem. Sou estofador e trabalho com reformas de sofás. Também faço almofadas decorativas, bolsas e mochilas. Não tenho loja aberta. Os trabalhos aparecem por encomenda de amigos, parentes. Então, como eu trabalho só por indicações de conhecidos, faço uma ou duas reformas por mês. Esse valor ajuda a cobrir gastos que não estavam previstos. A maioria é com remédios. Por isso, vendi meu freezer e cortei o uso do ar-condicionado, para reduzir o custo da conta de luz, que estava muito alta. Também cortei totalmente os passeios. Não vou mais ao cinema, não assisto mais a peças de teatro, não faço mais passeios no shopping. Gostaria muito que sobrasse alguma quantia significativa para investir. Há 18 anos, eu tinha uma economia mensal e investia em moeda estrangeira.” As informações são do jornal Extra.
Os comentários estão desativados.