Domingo, 15 de fevereiro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Congresso amplia verbas de ministérios sob o comando de PP, União Brasil e PSD

Compartilhe esta notícia:

Oposição diz que não aceita aumento de impostos; governistas prometem tratar o tema como "batalha de rico contra pobre". (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Ao votar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) no apagar das luzes do ano passado, o Congresso turbinou pastas chefiadas por partidos como União Brasil, PP e PSD, que terão até oito vezes mais recursos para gastar em 2024 do que o inicialmente previsto pelo governo. É o caso, por exemplo, do Ministério do Turismo, comandado por Celso Sabino (União), que teve um incremento de 733% no seu caixa, passando de R$ 270,8 milhões propostos pelo Executivo em agosto, para R$ 2,25 bilhões na versão final aprovada por deputados e senadores há duas semanas.

A forma utilizada pelos parlamentares para aumentar a verba desses ministérios foi a destinação de emendas e o remanejamento de recursos de outras áreas, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Apesar de ser um dos carros-chefe da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a iniciativa perdeu aproximadamente R$ 6 bilhões após a interferência dos congressistas.

Os valores finais do Orçamento de 2024 podem ainda sofrer alterações. A peça orçamentária foi enviada apenas nesta semana ao governo para ser sancionada por Lula, que vai avaliar a possibilidade de vetar algum trecho. A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência afirmou que o Orçamento aprovado será analisado “no detalhe” pelo Ministério do Planejamento e demais pastas.

“O Congresso avaliou que essa atividade econômica (turismo) estava há mais ou menos dois anos sem grandes investimentos. E o potencial do nosso país de crescer nessa atividade é gigante”, afirmou Sabino.

O ministro, que é deputado licenciado, assumiu a pasta em agosto, após a bancada do União Brasil pressionar Lula para que substituísse Daniela Carneiro (União-RJ), cujo grupo político deixou o partido.

Parceria

O senador Wilder Morais (PL-GO), que relatou a parte de turismo no projeto orçamentário, disse que, apesar de atuar na oposição, trabalhou em parceria com o ministro para convencer os demais parlamentares a aumentar a verba destinada à pasta.

“Estamos num momento de atenção a projetos que possam colaborar com a economia nacional”, disse o senador.

Outro ministério turbinado pelo Congresso foi o do Esporte, há quatro meses sob o comando de André Fufuca, deputado federal do PP licenciado. A proposta inicial enviada por Lula previa dar R$ 607,8 milhões para o ministro ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), administrar. Deputados e senadores, contudo, elevaram o montante em 320%, para R$ 2,53 bilhões.

Durante as negociações da reforma ministerial, no segundo semestre do ano passado, o PP só aceitou assumir o Esporte diante do compromisso do governo de garantir um orçamento mais robusto e uma estrutura maior para a pasta. Fufuca chegou a ir pessoalmente à Câmara pedir mais verba aos colegas.

“Não dá para a gente falar em ajudar o esporte e o Orçamento encaminhado (pelo governo) ter só R$ 600 milhões, com todo respeito”, disse o ministro em outubro durante audiência na Comissão de Esporte da Câmara.

Um dos programas que ganhou mais recursos dentro do ministério foi o que prevê investimentos em infraestrutura para esporte amador, o que inclui, por exemplo, a construção de quadras esportivas. A previsão inicial era de R$ 69 milhões, mas passou para R$ 813 milhões.

Entre as pastas mais visadas pelo Centrão, grupo político historicamente conhecido pelo fisiologismo, o Ministério da Integração também foi um dos mais turbinados e cresceu 80%, na mesma comparação, indo de R$ 5,4 bilhões para R$ 9,8 bilhões. A alta foi puxada principalmente pelo incremento no orçamento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que passou de R$ 935 milhões para R$ 2 bilhões.

Sob Lula, as estruturas do ministério se tornaram um feudo do União Brasil. A pasta é comandada desde o início do ano por Waldez Góes, nome indicado pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP). Já a Codevasf, que se tornou um dos principais destinos de emendas desde o governo de Jair Bolsonaro, é comandada por um apadrinhado do líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (BA).

Na Agricultura, por sua vez, o ministro Carlos Fávaro (PSD) terá um incremento de 8% no caixa da sua pasta, principalmente após parlamentares destinarem emendas para programas da área. O valor encaminhado ao ministério passou de R$ 10,5 bilhões, proposto pelo governo, para R$ 11,3 bilhões.

Pastas consideradas “bandeiras” de campanha de Lula, como a do Meio Ambiente e de Povos Indígenas, por sua vez, tiveram seus orçamentos praticamente inalterados pelos congressistas em relação ao que foi proposto pelo governo. Já a de Mulheres, criada na atual gestão, conseguiu ter o caixa dobrado — passou de R$ 208 milhões para R$ 480 milhões —, embora continue com a segunda menor quantia da Esplanada. Ficou à frente apenas do Ministério da Pesca, que terá R$ 356 milhões.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Lula volta a Brasília depois de dez dias de folga no Rio
Tribunal Superior Eleitoral propõe regras para uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar