Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2016
Máscaras, mantas, lanternas, capacetes e bonés que emitem luzes de LED estão entre os equipamentos dermatológicos de uso doméstico mais vendidos na Coreia do Sul, país conhecido pela tecnologia – e pelos exageros – no cuidado com a pele. Seguros e com um custo relativamente baixo, eles prometem tratar problemas como caspa, calvície, rugas e acne.
“Ao contrário dos lasers domésticos para remoção de pelos ou rugas, o LED não oferece riscos de queimadura, por isso é possível usar em casa um equipamento muito semelhante àquele do consultório médico”, explica o cirurgião Alvaro Pereira de Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e dono da empresa Cosmedical, que desenvolve produtos brasileiros usando essa tecnologia.
O uso é simples, embora incluí-lo na rotina demande certa paciência. No caso das máscaras, basta colocar no rosto e esperar entre sete minutos e meia hora, de acordo com o fabricante.
Bonés, tiaras e capacetes são colocados na cabeça por um período entre 30 segundos e 20 minutos. No caso das placas, é preciso aproximar o rosto por cerca de 15 minutos. As mantas devem cobrir a área tratada por um período entre dez minutos e meia hora.
Esses equipamentos utilizam a chamada terapia com laser de baixa potência (LLLT, Low Level Laser Therapy), que trabalha com pequenas quantidades de luz em comprimentos de onda que promovem uma ação fotoquímica, penetrando a membrana celular e estimulando as mitocôndrias a produzirem ATP (Adenosina Trifosfato), moeda energética da célula. As células ganham uma dose extra de energia e funcionam de modo otimizado. Na pele, isso significa uma renovação mais constante. No cabelo, estímulo dos folículos.
Como o aumento de temperatura é pequeno, não há dano celular. Fora do uso estético, a tecnologia pode ser usada para tratar dores crônicas e para fazer feridas cicatrizarem mais rápido.
Na prática, o LED é um laser, só que de baixa potência. Enquanto um laser de consultório atua destruindo e fragmentando as células da pele (para retirar uma mancha, por exemplo) ou gerando uma agressão na pele para que ela seja obrigada a se renovar (é o caso dos lasers de CO2), o LED apenas estimula a pele.
Os médicos entrevistados são unanimes em dizer que o brinquedo funciona, mas que os efeitos são sutis. “Não substitui nenhum tratamento, é apenas um complemento interessante”, diz a dermatologista Heloisa Hofmeister.
Valeria Campos, assessora do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ressalta que o uso não deve ser diário, mas em dias alternados. “Quem tem pouco cabelo pode usar os LEDs capilares todos os dias. Mas quem só quer estimular o crescimento ou tratar a pele deve usar dia sim, dia não”, explica.
No cabelo, os resultados também são discretos, porém animadores. “Nada ressuscita um folículo morto, mas quem inicia o tratamento logo que o cabelo começa a afinar pode adiar a calvície em até dez anos”, diz Oliveira.
Em quadros de calvície, o hormônio DHT interfere na atividade celular dos folículos pilosos. As células trabalham menos, deixando os fios mais finos e ressecados. O LED ativa a microcirculação capilar, levando mais nutrientes ao couro cabeludo e retardando o processo.
Das oito cores de LED existentes, a maior parte dos equipamentos domésticos trabalha com luzes vermelhas ou azuis. Quando usada no rosto, a luz vermelha tem poder antienvelhecimento, melhora a aparência de linhas finas, aumenta a produção de colágeno e diminui a inflamação após procedimentos como peeling e limpeza de pele.
Quando usada no cabelo, estimula o crescimento, reduz a queda, combate a caspa e fortalece os fios. Nas unhas, aumenta a produção de queratina, deixando-as mais fortes. Já no corpo, combate dores crônicas e flacidez.
A luz azul tem efeito bactericida e uniformizador do tom da pele, sendo útil para combater acne e manchas brancas de cicatrizes ou vitiligo. Quando usada nos dentes, tem efeito branqueador. (Folhapress)
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