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Saúde Remédio para diabetes pode curar também a obesidade

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Acompanhamento médico é importante, inclusive, por conta dos possíveis efeitos colaterais da droga. (Crédito: Reprodução)

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o Saxenda, a primeira droga contra a obesidade no Brasil desde 1998. O remédio deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2016.

O medicamento tem o mesmo princípio ativo do Victoza, aprovado no País em 2010 para o controle do diabetes tipo 2 e que, por causar perda de peso, gerou uma corrida às farmácias por pessoas que não tinham a doença.

Na época, a Anvisa divulgou comunicado contraindicando qualquer uso do Victoza diferente do aprovado. “Já havia pistas de que a liraglutida [princípio ativo da droga] poderia ser eficaz na perda de peso, mas não sabíamos como se comportaria em não diabéticos”, diz João Eduardo Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

A droga depois foi estudada especificamente para a obesidade e aprovada com esse fim – e outro nome – nos EUA, no Canadá e na Europa. A única diferença é a dose, maior na nova droga.

“O remédio é novo, ainda está sendo estudado e é preciso cautela, porém é um avanço no tratamento clínico da obesidade”, avalia Salles. Hoje, há duas drogas disponíveis: sibutramina e orlistate. O uso do Saxenda é indicado para adultos com IMC (índice de massa corporal) de 30 ou mais (índice equivalente à obesidade) ou 27 ou mais (sobrepeso) desde que haja pelo menos uma outra doença associada ao peso.

“Não é para tratar uma pessoa que quer perder uns quilinhos para o verão. O uso da droga tem que ter indicação médica”, afirma o especialista em obesidade Bruno Halpern.

Receita.

O preço não foi definido, mas deve ser similar ao do Victoza, que custa cerca de 400 reais. A droga terá tarja vermelha, o que requer receita médica. Na prática, contudo, é raro que ela seja cobrada. “É provável que haja uso estético e abusivo, mas isso não invalida o uso por quem precisa”, diz Halpern.

Em nota, a Anvisa informou que o Saxenda foi aprovado para controle crônico de peso “em associação a uma dieta baixa em calorias e aumento de exercício físico” e que “a segurança do produto continuará sendo monitorada com estudos pós-comercialização”.

O acompanhamento médico é importante, inclusive, por conta dos possíveis efeitos colaterais. Segundo estudo com mais de 3 mil pacientes, publicado na revista científica “New England Journal of Medicine”, os mais comuns são distúrbios gastrointestinais, como náusea e vômito, mas também houve eventos adversos ligados a vesícula biliar.

O efeito mais grave foi pancreatite (inflamação do pâncreas) em dez dos 2.481 pacientes do grupo que tomou a droga. A doença já era fonte de preocupação desde o lançamento do Victoza, no entanto, segundo Salles, ela tem se mostrado rara na prática clínica.

Veto e liberação.

O debate sobre a liberação de alguns emagrecedores segue. Em 2011, a Anvisa vetou três drogas e tornou a venda da sibutramina mais rígida, por falta de estudos que atestem sua segurança. Porém um projeto de lei que permite a venda dessas drogas e proíbe a Anvisa de fazer vetos a essa questão tramita no Congresso. Após ser aprovado na Câmara e em comissões, o texto deve seguir agora para o plenário do Senado. (Folhapress)

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