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Por Redação O Sul | 29 de janeiro de 2020
O novo coronavírus que surgiu na cidade chinesa de Wuhan e causa uma doença pulmonar grave já foi detectado em vários países, onde infectou milhares de pessoas e provocou mais de uma centena de mortes. E, de acordo com especialistas, estes números devem aumentar, o que está deixando as autoridades de saúde em todo o mundo em alerta. As informações são da BBC News.
O episódio lembra outro surto, o da Síndrome Respiratória Aguda Grave, conhecida como Sars (a sigla em inglês), também causada por um coronavírus, que matou 774 das 8.098 pessoas infectadas, quando eclodiu na China em 2002. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que o risco global é “alto”, mas decidiu não declarar emergência internacional de saúde pública, como fez com a gripe suína e o Ebola.
Seja como for, há muitas dúvidas pairando sobre o assunto. A BBC conversou com vários especialistas, e estas são as questões em relação ao vírus que mais os preocupam:
– 1) Com que facilidade é transmitido? No início do surto, as autoridades chinesas disseram que o vírus não era transmitido entre seres humanos, mas desde então foram identificados milhares de casos de pessoas infectadas dessa maneira. Os cientistas informaram que cada indivíduo infectado pode transmitir o vírus para uma média que fica entre 1,4 e 2,5 pessoas.
Esse número é particularmente importante porque corresponde à taxa de reprodução básica do vírus e, quando excede 1, significa que é “autossustentável”, ou seja, os especialistas sabem que ele não será extinto por si só. E isso coloca o coronavírus mais ou menos no mesmo grupo de virulência da Sars. Por enquanto, apenas medidas como as tomadas na China, que incluem colocar cidades em quarentena, podem retardar sua propagação.
– 2) Qual é a fase de contágio? Os cientistas na China indicam que os pacientes podem transmitir o vírus antes mesmo de aparecerem os primeiros sintomas, que incluem febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. O intervalo de tempo entre o contágio e o início dos sintomas — conhecido como período de incubação — pode variar de um a 14 dias.
A Sars e o Ebola, por exemplo, são contagiosos somente após o aparecimento dos sintomas. Isso faz com que esses tipos de surtos sejam relativamente fáceis de frear: as pessoas doentes são identificadas, e as que entraram em contato com elas são monitoradas.
A gripe é o exemplo mais famoso de um vírus que alguém pode espalhar antes de saber que está infectado. A professora Wendy Barclay, do Departamento de Doenças Infecciosas da universidade Imperial College London, no Reino Unido, afirmou à BBC que é comum que infecções respiratórias sejam transmitidas antes que apareçam sintomas. O vírus “se propaga pelo ar, ao conversar com uma pessoa infectada ou respirar próximo a ela”, explica.
– 3) Quão rapidamente a doença se alastra? Em poucos dias, o número de pessoas infectadas passou de centenas para milhares.Mas o rápido crescimento dos números, mais acelerado que em outros surtos, pode ser devido à maior capacidade da China hoje de identificar pessoas infectadas.
Na realidade, há muito pouca informação sobre a “taxa de crescimento” do surto. Mas especialistas acreditam que o número real de pessoas atingidas é provavelmente maior que o divulgado. É o que indica um relatório do Centro de Análise de Doenças Infecciosas Globais do Imperial College London. “É provável que o surto de coronavírus em Wuhan tenha causado mais casos de doença respiratória moderada ou grave que o informado.”
– 4) Como é possível conter o vírus? Sabe-se que o vírus não vai retroceder por conta própria: somente medidas tomadas pelas autoridades podem acabar com a epidemia. Tampouco há uma vacina disponível que possa fornecer imunidade à população. Mas os cientistas já estão trabalhando no desenvolvimento de uma. A expectativa é de que as pesquisas conduzidas em torno da vacina contra a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que também é um coronavírus, possam facilitar este trabalho.
Os hospitais também estão testando medicamentos antivirais. Uma combinação de dois medicamentos foi bem-sucedida contra a epidemia de Sars e está sendo testada agora na China. Mas, por enquanto, a opção mais eficaz é impedir que indivíduos já infectados transmitam o vírus a outras pessoas.
– 5) O vírus pode sofrer mutação? É esperado que os vírus, de uma maneira geral, sofram mutações e evoluam. Mas é difícil prever o que isso significa em cada caso. A Comissão Nacional de Saúde da China alertou que a capacidade de transmissão do coronavírus está se fortalecendo, mas não foi clara sobre o risco apresentado por mutações virais. Isso é algo que os cientistas estão observando atentamente.
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