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Mundo Conheça o homem que já teve relações com 5 mil mulheres

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Ator diz que precisou superar a visão católica sobre o sexo para entrar na indústria pornográfica. (Crédito: Reprodução)

A mãe, dona de casa e católica fervorosa, sonhava em vê-lo usando batina, celebrando missas em Ortona, a provinciana cidade italiana onde a família se estabeleceu. Ainda muito jovem, chegou a vestir a roupa de coroinha, ajudando o padre da paróquia. Mas Rocco Tano (ou Rocco Siffredi, como o mundo da indústria pornográfica viria a conhecê-lo) sempre soube que seria impossível realizar os desejos da amada “mamma”, já falecida.

“Quando o sexo controla o seu corpo, ele vira o seu demônio. Acho que minha sexualidade começou a se manifestar lá pelos meus 8 anos. E, quando revelei para a minha mãe que queria fazer filmes pornôs, ela aceitou bem, à maneira dela, a minha decisão”, contou Siffredi, 52 anos, durante o Festival de Veneza, onde o documentário “Rocco” fez sua estreia mundial.

Dirigido pela dupla Thierry Demaiziere e Alban Teurlai, o filme traça um retrato íntimo do astro pornô, apelidado de “o garanhão italiano”, que participou de mais de 1,5 mil produções adultas e transou com cerca de cinco mil mulheres em 30 anos de carreira. Nele, vemos um homem disposto a se abrir sobre o impacto de uma vida de excessos carnais na relação com a mulher, Rosza, e os dois filhos, Lorenzo, 20, e Leonardo, 16.

A formação religiosa e a necessidade de contar com a benção dos pais parecem estar na origem do conflito de consciência que o persegue desde a juventude. Nascido em uma família de poucos recursos, Siffredi diz que abraçou o sexo como profissão para dar mais conforto à família – mal completara 20 anos quando posou como modelo para revistas pornográficas.

“Acho que ela [a mãe] sequer sabia o significado da palavra pornografia. […] Mas encontramos uma forma de falar sobre sexo. Até meu pai, que nunca havia tocado no assunto comigo, só começou a falar sobre sexo depois que me tornei ator pornô. Foi uma forma dele se liberar.”

Vício.

Siffredi diz que precisou superar a visão católica sobre sexo para concretizar seu sonho. “Meus parentes disseram que eu não poderia tocar nos filhos deles. […] Decidi mandar tudo às favas e reafirmei a minha decisão. Foi a melhor coisa que fiz. Até hoje não me arrependo”, conta.

O ator deixou Ortona (e a Itália, que nunca foi muito receptiva à indústria pornô) para rapidamente se tornar uma celebridade do entretenimento adulto, na frente e atrás das câmeras. O apetite sexual rapidamente o transformou em uma lenda do mundo do sexo.

Embora levasse uma vida saudável (“não bebo, não uso drogas”) e seguisse à risca os procedimentos padrões da indústria com relação à prevenção de doenças sexuais, Rocco sempre encarou a aids como “um risco inerente à profissão”. Perdeu vários colegas de trabalho para a doença. Foi testemunha de casos mais trágicos, de companheiros que tiraram a própria vida quando se descobriram contaminados com o HIV. “Vi acontecer duas vezes no set em que trabalhava. Ambos envolveram drogas, porque quase todo mundo as usa nesse meio”, observa.

Mudanças.

Siffredi afirma que os primeiros 20 anos de carreira foram um “paraíso”: sucesso nos negócios, muitas mulheres e experiências sexuais. A coisa começou a mudar pouco tempo depois do casamento com Rozsa, ex-miss Hungria, que conheceu durante o Festival de Cannes, nos anos 1990.

“Um dia, percebi que meus filhos estavam crescendo e me senti envergonhado. Eles estavam chegando a uma idade em que começavam a entender o que o pai fazia para viver”, recorda Siffredi, que chegou a anunciar a aposentadoria ao completar 40 anos, mas voltou atrás. “Não é fácil parar, assim, de uma hora para outra.”

“Rocco” foi rodado entre 2013 e 2015. O filme mostra um período de certa confusão mental para Siffredi, que se revela viciado em sexo e volta a falar em abandonar a profissão de ator. “Não sabia que era um viciado. Confesso que é difícil parar depois de décadas transando duas a três vezes ao dia durante pelo menos 20 dias do mês.” (AG)

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