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Esporte Conmebol romperá contrato com empresa que explora a Libertadores

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O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ao lado do empresário J.Hawilla (à esq.), durante inauguração do seu centro de treinamento em Porto Feliz, no interior do Estado, em 2009. (Luiz Carlo Murauskas/Folhapress)

A Torneos y Competencias terá o seu contrato da Libertadores quebrado pela Conmebol. A empresa argentina é alvo de investigação do Departamento de Justiça dos EUA e está com parte das suas contas bloqueadas.

No início do mês, o empresário Alejandro Burzaco, que era presidente e gerente geral da Torneos, entregou-se à polícia da Itália. Ele é acusado de pagar propina em troca de vantagens para sua empresa na concorrência por competições de futebol.

“Não vai dar para manter esse contrato. Eles estão com as contas congeladas e não estão conseguindo cumprir os seus compromissos. O rompimento será bom para os dois lados”, afirmou o tesoureiro da Conmebol, o boliviano Carlos Chavéz.

A empresa paga US$ 52 milhões (R$ 161 milhões) pela exploração comercial de cada edição da Libertadores. O acordo vai até 2018.

Segundo Chávez, o campeonato deste ano não corre risco por causa dos problemas da empresa na Justiça.

O contrato da Libertadores será o segundo com a assinatura dos representantes da TyC rompido pela Conmebol.

A companhia argentina é sócia da uruguaia Datisa, empresa que só pagou, até agora, menos da metade dos direitos de exploração comercial da Copa América –US$ 30 milhões (R$ 93 milhões) dos US$ 80 milhões ( R$ 248 milhões) que havia se comprometido, segundo Chávez.

O Conmebol vai encerrar o contrato com a Datisa. O acordo é válido por quatro edições do torneio (2016, 2019 e 2023, além da versão chilena).

Desde a prisão de sete cartolas na Suíça no final de maio, a uruguaia também teve suas contas congeladas.

A empresa é formada por três gigantes do setor do continente (Traffic, Full Play Group e a Torneos).

Os donos da Full Play e da Torneos estão presos. Já o empresário J.Hawilla, dono da Traffic, fez acordo com a Justiça dos EUA e vai pagar US$ 150 milhões (quase R$ 500 milhões) depois de confessar extorsão, fraude eletrônica, e lavagem de dinheiro.

Procurada pela reportagem, a Torneos, sediada em Buenos Aires, não comentou a decisão até o fechamento desta edição.

Prêmios da Copa América

Nessa terça-feira, o tesoureiro da Conmebol disse também que a entidade vai pagar com os seus próprios recursos o restante da premiação para os participantes da Copa América.

O dirigente calcula que a Conmebol terá que desembolsar cerca de US$ 25 milhões (R$ 77 milhões) em premiação aos oito times que permanecem no torneio.

Para isso, ele negocia com as patrocinadores da Copa América o pagamento das suas cotas diretamente para a Conmebol. Por contrato, esses valores teriam que ser desembolsados pela Datisa, dona dos direitos do torneio.

Ele também planeja usar o “fundo de emergência da entidade”, de cerca de US$ 10 milhões (R$ 31 milhões), além do lucro de 2014 (cerca de R$ 24,8 milhões) para tentar debitar a conta. (Marcel Rizzo e Sérgio Rangel/Folhapress)

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