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Economia Considerado desleal pelos Estados Unidos, Pix é cobiçado por países da Ásia, América Latina e África

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Pix foi usado como argumento pelos EUA para propor taxação ao Brasil.

Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Pix foi usado como argumento pelos EUA para propor taxação ao Brasil. (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

O seguro agrícola deve ganhar mais espaço no planejamento do produtor rural diante de um cenário de maior instabilidade climática no Brasil. Em entrevista ao Agrolink, Martín Pacheco, Superintendente de Agronegócios da Sancor Seguros, aponta que o Super El Niño pode intensificar perdas por excesso de chuva no Sul e déficit hídrico no Cerrado e no Norte. Criticado pelos Estados Unidos por, na visão americana, comprometer a competição justa no mercado de pagamentos global, o Pix tornou-se uma referência global e é cobiçado por países da Ásia, América Latina e África.

Classificado “campeão nacional” pela gestão Donald Trump, o Pix já virou produto de exportação e serviu de base para a implementação do sistema de pagamentos em tempo real da Colômbia, o Bre-B, que está em plena operação desde outubro de 2025.

O interesse no Pix, que conquistou os brasileiros a ponto de ser considerado hoje pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva um patrimônio nacional, é crescente. Só no ano passado, representantes do Banco Central brasileiro registraram na agenda interações com mais de 15 delegações sobre o sistema de pagamentos instantâneos criado em 2020.

Estão na lista África do Sul, Panamá, Marrocos, Nigéria, Namíbia, Paraguai, Tailândia, Gana, Aruba, Moldávia, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Japão, Bahrein, Trinidad e Tobago e Burkina Faso. É citada ainda a procura de Uruguai, Argentina, Chile e China. Nem todos os países querem replicar o Pix, mas há uma demanda também por integração de sistemas de pagamento rápido para facilitar transferências internacionais.

O Pix foi citado como uma das políticas brasileiras que afetam o comércio americano no relatório final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Como consequência, o USTR recomendou a adoção de uma tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras aos EUA, com exceções.

O governo Trump afirma que as políticas brasileiras favorecem o Pix em detrimento das empresas americanas na competição nos serviços de pagamento eletrônicos. Segundo a conclusão da investigação comercial, o papel duplo do Banco Central como regulador e operador do Pix cria um “conflito de interesses”. Para o órgão, as ações relacionadas ao Pix representam um ônus ou restrição ao comércio dos EUA porque impõe custos às empresas do setor de pagamentos do país e as forçam a promover o concorrente brasileiro, sem compensação.

Em resposta, o governo brasileiro afirma que o Pix é gratuito, público e de grande aceitação pela população, Além disso, diz que suas regras se aplicam de forma uniforme e neutra e que as empresas norte-americanas participam ativamente do ecossistema. Outro argumento apresentado é de que o Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA.

Segundo interlocutores brasileiros, pressões de empresas de cartão dos EUA e do setor de stablecoins contribuíram para a investigação contra o Pix e para as conclusões negativas sobre o favorecimento do Banco Central ao meio de pagamento. De acordo com essas pessoas, a intenção do lobby é mudar a natureza gratuita e pública do Pix e evitar que o modelo seja adotado por outros BCs pelo mundo, movimento que vem sendo identificado pelas empresas que se sentem prejudicadas pelo sistema de pagamentos brasileiro.

Há preocupação ainda da Casa Branca sobre o efeito que sistemas de pagamentos instantâneos podem ter sobre o poder do dólar no sistema financeiro global. Isso pode reduzir também a posição dominante de stablecoins e cartões de crédito em pagamentos transfronteiriços. Autoridades do governo brasileiro afirmam, inclusive, que as stablecoins já são usadas para pagamentos dentro de países que não têm meios de pagamento como o Pix.

(Com O Globo)

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