Quarta-feira, 22 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 22 de abril de 2026
Os aumentos foram justificados, principalmente, pela alta no custo dos subsídios cobrados na conta de luz.
Foto: EBCOs primeiros reajustes na conta de luz aprovados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2026 indicam que o ano vai ser pesado para o consumidor. Em Roraima, a alta média foi de 23,2%. No Rio de Janeiro, de 14,2% para clientes da Enel, e de 6,9% para clientes da Light.
Os aumentos foram justificados, principalmente, pela alta no custo dos subsídios cobrados na conta de luz. A Aneel projetou que, em média, a conta de luz do brasileiro vai subir 8% em 2026, o dobro da inflação (segundo o boletim Focus, a expectativa do mercado é que o IPCA terminou o ano em 4,1%). Em 2025, a alta média foi de 7%, enquanto a inflação oficial foi de 4,26%. Em 2024, a tarifa média subiu 0,5% e em 2023, 6,2%.
Cerca de metade do índice de reajuste para este ano é provocado por aumento no custo dos subsídios, que são pagos por meio de um mecanismo chamado CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que vai custar R$ 52 bilhões aos brasileiros em 2026. São recursos direcionados, por exemplo, a subsídios a energias renováveis e também à isenção da conta de luz para brasileiros de baixa renda, aprovada em 2025 pelo Congresso a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O custo da energia também será maior, com efeitos de um esperado uso maior de térmicas para compensar poucas chuvas na virada do ano e da privatização da Eletrobras, hoje Axia, que vende a preços de mercado parte da energia que antes comercializava em cotas às distribuidoras. A lei que privatizou a Eletrobras em 2022 estipulou um período para que as hidrelétricas da companhia continuassem vendendo energia a preços de contratos antigos, mas com redução das cotas a cada ano até chegar a 0% em 2027.
Nos três reajustes já anunciados, os subsídios tiveram peso relevante. Roraima, estado interligado recentemente ao SIN (Sistema Interligado Nacional), e a área atendida pela Enel foram responsáveis por cerca de metade do reajuste.
Na área da Light, subiram 7,6%, mais do que o indicador final, mas a alta foi parcialmente compensada pela queda de outros componentes da tarifa. A redução dos subsídios na conta de luz foi prometida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a enviar um projeto de lei de reforma do setor elétrico ao Congresso Nacional.
Mas o Planalto recuou diante de pressão de lobbies sobre lideranças parlamentares e acabou aprovando apenas a criação de mais um subsídio, o programa Luz do Povo. A Aneel destacou nesta terça que o governo vai usar recursos da taxa de uso do bem público para dar descontos na conta de luz para moradores de estados das regiões atendidas pela Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).
A primeira abrange Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. A segunda, estados da região Nordeste e municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)
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