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Armando Burd Conta pesada para ser paga

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O placar eletrônico Impostômetro atingiu 1 trilhão de reais. (Foto: Carlos Severo/ Fotos Públicas)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A greve dos caminhoneiros provocou rombo por volta de 75 bilhões de reais em vários setores, que começarão a ser cobrados. Este balanço se dirige, especialmente, aos que aplaudiram a ação devastadora.

No agronegócio, foram 100 milhões de aves mortas, 120 mil toneladas de carne não exportadas, 300 milhões de litros de leite descartados e 98% das fábricas paradas. União, estados e municípios também tiveram perdas de arrecadação. Cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário aponta 32 bilhões e 500 milhões de reais.

A conta vai aumentar, porque a sociedade ainda terá de bancar os subsídios ao óleo diesel com cortes em programas sociais, saúde e educação, além da reoneração da folha de pagamentos de 39 setores da Economia.

Ninguém escapará do prejuízo, pagando mais pelo que consome. Conclusão: nada está tão ruim que não possa piorar.

Falta dinheiro

Em função da greve, começou por Minas Gerais a pressão do comércio e da indústria, pedindo a prorrogação do prazo de vencimento de todos os tributos que devem pagar.

Inexiste mágica para resolver

Durante a greve, surgiram profetas do óbvio, atribuindo a culpa à opção pelo sistema rodoviário, que desprezou ferrovias e hidrovias. Agora é tarde para chorar. O custo básico para restabelecer a rede de trens e adequar os rios, como meio de escoar a produção em todo o país, fica em torno de 650 bilhões de reais. É um pouco mais do que o déficit anual do governo federal.

Querendo ou não querendo

Por falar em muito dinheiro, o placar eletrônico Impostômetro atingiu ontem 1 trilhão de reais. Valor repassado pela população brasileira aos cofres públicos desde 1º de janeiro deste ano.

A velocidade aumenta: em 2017, esse total foi alcançado a 16 de junho.

Nenhum centavo a menos

Para encerrar a greve, o governo federal prometeu o que não poderá cumprir: a redução das alíquotas que os Estados recolhem sobre a venda de combustíveis. A maioria está quebrada, tentando aumentar tributos. Para que se tenha a exata medida, 43% da arrecadação total do ICMS vêm dos combustíveis, das telecomunicações e da energia elétrica. A participação dos estados nas vendas dos três setores foi consagrada pela Constituição de 1988. Nenhum deles abrirá mão de percentual, por menor que seja, da galinha dos ovos de ouro.

Travada

A Assembleia Legislativa está sob efeito de um agente paralisante chamado Plebiscito. Desde o ano passado, começaram embates sobre a realização de consulta à população sobre a privatização da CEEE, da Sulgás e da Companhia Riograndense de Mineração. Foram idas e vindas com o uso de recursos do regimento interno.

O pior

O propósito da privatização das estatais é canalizar dinheiro para o caixa do Tesouro do Estado. Desaparecerá no mês seguinte à entrada, porque o déficit fica cada vez mais assustador. O atraso sistemático nos pagamentos tornou-se a evidência claríssima para os que ainda duvidavam.

Troca de plano

Corre nos bastidores: a deputada Manuela D’Ávila abandonará a corrida à Presidência da República para concorrer ao governo do Estado.

Lunáticos em ação

A Câmara dos Deputados não tem mais com que se preocupar: ontem, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços rejeitou proposta que obriga os fabricantes de máquinas de cartão de crédito e débito a equipar os aparelhos com bordas de dois centímetros de altura nas laterais dos teclados.

Brinde à mordida

Todo o copo de chope contém no preço 62% de tributos diretos (PIS, Cofins, IPI e ICMS).

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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