Segunda-feira, 29 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Contas públicas do governo Lula têm déficit de R$ 44 bilhões no ano até maio, pior saldo desde 2020

Compartilhe esta notícia:

Apenas no mês de maio, o resultado foi negativo em R$ 53,3 bilhões, informou o Tesouro Nacional nessa segunda-feira (29). (Foto: ABr)

O pagamento de sentenças judiciais e o calendário imposto pelo Congresso para desembolso de emendas parlamentares em ano eleitoral ampliaram os gastos federais em maio e contribuíram para o déficit de R$ 44,4 bilhões nas contas do governo central nos primeiros cinco meses do ano. O saldo é o pior para o período desde 2020, já considerando os efeitos da inflação.

Apenas no mês de maio, o resultado foi negativo em R$ 53,3 bilhões, informou o Tesouro Nacional nessa segunda-feira (29). Nesta comparação, o dado é o pior para o mês desde 2024, quando ficou negativo em R$ 66,6 bilhões, em valores já atualizados.

Os resultados demonstram que o governo gastou mais do que arrecadou nos períodos analisados. O dado inclui as contas do Tesouro Nacional, da Previdência e do Banco Central.

A projeção oficial da equipe econômica, atualizada em 22 de maio, indica que as contas devem fechar o ano com um saldo negativo de R$ 60,3 bilhões.

A meta fiscal oficial é um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas a margem de tolerância permite que o resultado efetivo seja zero. Além disso, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso autorizam retirar até R$ 64,4 bilhões dessa conta. Por isso, o saldo final negativo ainda permitirá ao governo dizer que cumpriu a meta.

O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, disse que a evolução dos números ocorre conforme o planejado pelo governo. “Está dentro das expectativas, sem nenhum comprometimento da expectativa de resultado primário [para o ano]”, afirmou.

Segundo ele, os resultados foram fortemente influenciados por dois fatores: uma mudança no cronograma de pagamento das sentenças judiciais (precatórios) e a imposição de um calendário para o desembolso das emendas parlamentares impositivas (que compreendem as indicações individuais e de bancada).

Neste ano, a quitação dos precatórios ocorreu no mês de maio, diferentemente de 2025, quando o pagamento se deu em junho. Por isso, a comparação deixa o resultado de 2026 pior do que em anos anteriores.

De acordo com o Tesouro, o desembolso antecipado dos precatórios influenciou a trajetória de gastos com benefícios previdenciários (que teve R$ 42,7 bilhões a mais nos primeiros cinco meses ante igual período de 2025), pessoal e encargos sociais (com alta de R$ 19,2 bilhões) e sentenças judiciais ligadas a custeio e investimentos (avanço de R$ 35,4 bilhões).

No caso da Previdência, o aumento de gastos também é afetado pela redução da fila de espera dos segurados. Como mostrou a Folha, o estoque de requerimentos caiu a 1,9 milhão de pedidos no fim de junho, quarto mês seguido de redução. O maior ritmo de concessões eleva as despesas do governo.

Já em relação às emendas, o Congresso introduziu na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) deste ano a obrigação de o governo executar ao menos 65% das indicações impositivas (que incluem emendas individuais e de bancada) até o fim do primeiro semestre. A medida contribuiu para acelerar a execução desses recursos em ano eleitoral.

O Orçamento deste ano reserva R$ 49,9 bilhões em emendas parlamentares, dos quais R$ 37,8 bilhões são de execução obrigatória e estão sujeitos à regra dos 65%.

Segundo dados repassados pelo Tesouro à Folha, o governo pagou R$ 22,8 bilhões em emendas até maio, sendo R$ 19,6 bilhões em indicações individuais e de bancada. Já no ano passado, a execução total havia ficado em R$ 5,4 bilhões, dos quais R$ 4,7 bilhões eram obrigatórios.

Só em maio, o governo desembolsou R$ 16,1 bilhões em emendas, contra R$ 1,1 bilhão em igual mês de 2025.

O resultado das contas de maio também foi influenciado pelas medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conter o preço dos combustíveis. As primeiras ações foram anunciadas em meados de março e foram expandidas nas semanas seguintes.

Os gastos com créditos extraordinários, instrumento usado para autorizar despesas urgentes e imprevisíveis, subiram a R$ 3,7 bilhões nos primeiros cinco meses, 151% a mais do que em igual período de 2025 (R$ 1,5 bilhão). Desse valor, R$ 2,3 bilhões foram executados apenas no mês de maio.

Apesar disso, o Tesouro não apresentou um balanço específico das ações voltadas à contenção dos preços de combustíveis. A Folha solicitou os dados e aguarda as informações.

Diante de todos esses fatores, as despesas cresceram em ritmo superior ao das receitas no período. A alta real foi de 13%, o que equivale a uma expansão de R$ 55,2 bilhões na comparação com janeiro a maio de 2025. Ao considerar só o mês passado, as despesas subiram 9,4%, o equivalente a R$ 21,5 bilhões.

Pelo lado da arrecadação, a receita líquida do governo cresceu 4,8% no ano até maio, já descontado o efeito da inflação. Isso representa um ganho real de R$ 49,2 bilhões.

Houve melhora na arrecadação do Imposto de Renda (R$ 13,1 bilhões), do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras, com alta de R$ 11,7 bilhões) e da Cofins (R$ 11,2 bilhões), além de outras receitas administradas pela Receita Federal. O Imposto de Exportação, implementado sobre a venda de petróleo para ajudar a bancar as medidas contra o aumento de combustíveis, contribuiu com R$ 1 bilhão.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Governo envia ao presidente da Câmara dos Deputados o projeto de lei que aumenta o limite de faturamento do Microempreendedor Individual para R$ 140 mil
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x