Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2019
A transparência está em alta para todas as idades – pelo menos nos consultórios de dentistas. Se antes quem precisava de aparelho ortodôntico tinha que se acostumar com um sorriso metálico, hoje a opção dos chamados alinhadores transparentes só cresce no mercado. A ideia é a mesma: um aparelho modifica a posição dos dentes para corrigi-los.
Mas, para a colocação dos alinhadores, são feitos modelos digitais da dentição do paciente. A partir daí, com a ajuda de softwares, os dentistas conseguem determinar quais movimentações na arcada são necessárias.
Depois, calcula-se quantos alinhadores serão necessários durante o tratamento – o paciente precisa trocar as placas aproximadamente a cada uma ou duas semanas.
“Os alinhadores transparentes permitem que o paciente se alimente e fique sem resíduos no aparelho, já que são removíveis”, diz Ricardo Horliana, presidente da câmara técnica de ortodontia do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo).
O preço da discrição e da facilidade de higienizar bem os dentes pode chegar ao dobro do valor de um aparelho normal – pouco mais de 10 mil reais para o tratamento completo.
A Invisalign, da Align Technology Inc., uma das principais empresas a fabricar o alinhador, diz que o custo é similar ao de um aparelho fixo, mas que “no Brasil os ortodontistas determinam o preço”.
Há outras empresas no Brasil disputando o mercado, como a Smart Aligner e a CA Clear Aligner, entre outros.
O cirurgião-dentista Rodrigo Bueno de Moraes diz que hoje a ortodontia vai dos 8 aos 80 anos. “Tenho pacientes com maloclusão [alinhamento errado dos dentes] na terceira idade e eles têm procurado esse recurso.”
Segundo dentistas, são os adultos, inclusive, que mais procuram alinhadores, principalmente pela questão estética.
“Adultos e adolescentes são tomados por vergonha. Eles acham que o sorriso metálico infantiliza”, diz Moraes.
Mas um dos poréns dos alinhadores é justamente a possibilidade de poder tirá-lo. Especialistas dizem que, para ter o efeito desejado de reposicionamento dos dentes, deve-se usar o alinhador por longos períodos de tempo – mais de 20 horas por dia.
“Esses aparelhos não fazem milagre. Funcionam como um aparelho móvel: se você não tiver disciplina para usar, o tratamento não evolui”, diz a ortodontista Ana Cristina de Sá Pedro.
Quando adolescente, Ronald Freire, 57 anos, vivia esquecendo seu aparelho móvel. Hoje, o médico não tira o alinhador nem para dar aulas. “O grande segredo é a aderência ao tratamento. Pela minha experiência, em crianças e adolescentes o aparelho vai estar mais fora da boca do que nela.”
Ronald voltou a usar aparelho por questões estéticas e optou por alinhadores transparentes pela mesma razão. Outro fator foi o conforto. “Tentei usar o móvel, mas parecia o Pato Donald falando.”
Há casos em que os especialistas ainda preferem utilizar os tradicionais aparelhos fixos, como na correção do queixo projetado para frente ou de mordida cruzada. Em outras situações, também pode haver, inicialmente, o uso do aparelho tradicional e, depois, do alinhador. Cabe ao ortodontista a indicação.
Sobre um ponto os especialistas concordam: o uso de alinhadores em crianças que ainda tenham dentição de leite não é recomendado.
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