Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de fevereiro de 2026
Para enfrentar a crise, os Correios recorreram a empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões em 2025.
Foto: ABrUm documento elaborado pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, aponta que a estatal entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos” nos últimos anos.
O material, obtido pelo jornal O Globo, indica que a deterioração da performance operacional foi determinante para os resultados negativos registrados de forma recorrente nos últimos trimestres.
“Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, afirmou a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo no documento. Segundo ela, as negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado.
De acordo com o relatório, até setembro de 2025 a estatal acumulava R$ 3,7 bilhões em valores não pagos a fornecedores, empregados e em tributos. O texto destaca ainda que o ponto mais crítico para a sustentabilidade da empresa é a insuficiência de caixa.
“Não se trata apenas de um problema financeiro momentâneo. É um sinal de que o modelo atual opera no limite entre obrigação legal, pressão competitiva e capacidade real de geração de valor”, diz outro trecho.
Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa registrou queda de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa, o que representa recuo de 17,6% em comparação com o mesmo período de 2024. As entradas somaram R$ 16,94 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, ante R$ 18,37 bilhões no ano anterior. Já as saídas totalizaram R$ 16,68 bilhões, frente a R$ 20,65 bilhões no mesmo intervalo de 2024.
Para enfrentar a crise, os Correios recorreram a empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões em 2025. A maior parte desses recursos, porém, ingressou no caixa apenas em 30 de dezembro.
O documento também apresenta uma projeção de resultado menos negativo do que o acumulado até o terceiro trimestre do ano passado. A expectativa atual é encerrar 2025 com prejuízo de R$ 5,8 bilhões — abaixo dos R$ 6 bilhões registrados até setembro.
Para 2026, entretanto, a diretoria estima um cenário mais desafiador, com déficit projetado de R$ 9,1 bilhões.
“Executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026”, conclui o documento.
(Com O Globo)
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