Sábado, 15 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 1 de agosto de 2015
O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), voltou a afirmar nesta sexta-feira que está mantido o depoimento da advogada Beatriz Catta Preta, que defendeu nove investigados pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. A declaração de Motta ocorre após a entrevista da advogada ao Jornal Nacional, da Rede Globo, em que disse ter sido ameaçada por integrantes da comissão.
“O requerimento de convocação é um requerimento que está previsto em lei, previsto pelo Regimento Interno da Casa e não configura qualquer ameaça. A CPI não ameaça. Investiga”, afirmou. Motta disse que estranhou as declarações da advogada sobre ameaças e avaliou a entrevista como uma tentativa de “vitimização para esconder atos ilícitos”. “A CPI não vai admitir essas ilações”, acrescentou.
Em entrevista, a criminalista, que defendeu nove investigados na Lava-Jato explicou que deixou os casos por se sentir ameaçada e intimidada por integrantes da comissão. Beatriz ainda disse que fechou o escritório e abandonou a carreira depois de receber ameaças “veladas” feitas por membros da CPI, que votaram a favor da convocação para ela depor no colegiado.
A convocação foi aprovada por unanimidade e provocou reação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que considerou a convocação ilegal por quebrar o direito de inviolabilidade do sigilo profissional. A OAB apresentou pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para preservar a criminalista. O presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar em que a advogada é desobrigada a prestar esclarecimentos à CPI.
A advogada disse que a “intimidação” a ela e a sua família começaram depois que o empresário da Toyo Setal, Júlio Camargo, denunciou, em delação premiada, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de receber 5 milhões de reais em propina para viabilizar contratos com a Petrobras.
Os comentários estão desativados.