Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de maio de 2021
"Eu defendo a classe médica e suas atribuições", disse o senador na CPI da Covid.
Foto: DivulgaçãoO senador Luis Carlos Heinze (PP/RS), em sua fala, na tarde desta quinta-feira (20), na CPI da Pandemia, voltou a afirmar que os dois estudos, que chamou de “indícios de fraude” – um realizado pela Universidade de Harward/EUA e outro na cidade de Manaus – para avaliar os efeitos da cloroquina e do seu derivado hidroxicoloroquina, influenciaram a OMS (Organização Mundial da Saúde) a “emitir parecer, em dezembro do ano passado, contra o uso do medicamento no tratamento de pessoas infectadas com a Covid-19”.
De acordo com parlamentar, o ensaio na universidade americana envolvia uma empresa de “fachada”, a Surgisphere, que alegava retratar mais de 96 mil pacientes de 671 hospitais no mundo. Segundo Heinze, o estudo chegou a ser publicado na revista científica The Lancet. Porém, conforme diz ele, “a credibilidade da tese, realizada em tão pouco tempo e com dados anônimos, foi questionada por um grupo de mais de 150 pesquisadores liderados pelo britânico James Watson. Em junho do ano passado, a revista publicou uma retratação devido a inconsistência nos dados analisados.”
Heinze também apresentou documentos que, segundo ele, comprovariam que o experimento de Manaus ficou limitado ao estudo de doentes graves e idosos com comorbidades atingidos pelo coronavírus, o que, diz, “na avaliação de médicos, não traria um resultado positivo, pois o medicamento deve ser aplicado no estágio inicial da infecção”. O parlamentar disse ainda que os pacientes “teriam recebido uma superdose potencialmente letal do medicamento e que 22 pessoas teriam morrido em decorrência desse teste”.
Conforme o senador, além das mortes, “há forte evidência de fraude e, mesmo assim o estudo foi publicado na revista JAMA (Journal of the American Medical Association”.
“Minha preocupação com este tipo de condução e politização a respeito de remédios, baseado em trabalhos duvidosos, é muito grande, pois tem sérios impactos na vida das pessoas. Eu defendo a classe médica e suas atribuições, dentre as quais, a liberdade de prescrever tratamentos com responsabilidade. E também defendo a transparência das informações para a sociedade civil”, diz Heinze.
Polícia Federal
Esta foi a linha do pedido entregue pelo senador ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Gustavo Maiurino, para a realização de investigação sobre o uso elevado da cloroquina, em Manaus, no início da pandemia, em março de 2020. As motivações foram apresentadas nesta semana, em coletiva, no Senado Federal.
“Quais os possíveis contatos e liames entre eventuais pesquisadores e os grandes laboratórios, com interesses econômicos ligados à produção de vacinas, ou de políticos, com propósitos de desestabilização de um governo? Temos que investigar e apoiar qualquer decisão na ciência”, concluiu Heinze.
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