Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de fevereiro de 2026
Depois de pedir a convocação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à CPMI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o PT ampliou sua ofensiva e vai solicitar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do parlamentar e de seu escritório. O requerimento, assinado pelo deputado Rogério Correia (MG), visa identificar movimentações financeiras atípicas e recebimento de valores de pessoas e empresas investigadas.
Flávio Bolsonaro e seu escritório entraram na mira do colegiado em razão da administradora de sua empresa. Letícia Caetano dos Reis é irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, suspeito de ser sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em uma offshore.
O documento menciona que Letícia foi indicada pelo advogado Willer Tomaz, bem próximo a Flávio. Ele também já defendeu Alexandre Caetano em processo.
Diz o requerimento: “A investigação desse fluxo financeiro é fundamental para apuração sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimento indevido, tráfico de influência, recebimento de vantagens econômicas, ou seja, a eventual vinculação entre decisões administrativas, interesses eleitorais e as atividades do escritório”.
A propósito, o pedido vem após o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União), requerer a quebra de sigilo de Lulinha, filho do presidente da República.
Convocação
Na segunda-feira (2), o deputado Rogério Correia (PT-MG) havia apresentado um requerimento de convocação do senador Flávio Bolsonaro à CPMI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O parlamentar argumentou que o depoimento seria importante devido a um possível vínculo entre o escritório de advocacia do filho de Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato à Presidência e um sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
O pedido afirma que Letícia Caetano dos Reis, administradora do Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, que a Polícia Federal afirma ser sócio do Careca do INSS em uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
“Diante do estreito entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político descrito, suscita-se a existência de possível conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, especialmente considerando que pessoas diretamente ligadas a ambos mantêm relações societárias e familiares entre si”, diz o parlamentar.
A convocação de Flávio ainda precisa ser pautada pelo presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e aprovada pelos demais parlamentares.
Nos bastidores, membros da oposição argumentam que há muitos requerimentos na fila para serem pautados e que este não seria uma prioridade. Outros acreditam que a convocação pode ser positiva, se usada por Flávio para fazer discursos contra a gestão do PT no INSS.
Em nota, a assessoria de Flávio disse que “a esquerda atua de forma covarde, contra uma mulher trabalhadora e que não tem absolutamente nenhum vínculo com o gigantesco esquema de corrupção do governo Lula, que roubou centenas de milhões de reais dos aposentados do INSS”.
“Letícia Caetano dos Santos é uma funcionária contratada meramente para cuidar da burocracia do meu escritório de advocacia e nada mais, assim como também deve prestar serviços para diversas outras pessoas e empresas”.
A assessoria do senador também informou que Letícia é administradora de seu escritório porque a legislação considera senador da República uma “Pessoa Exposta Politicamente (PEP)”, “o que não permite que eu seja administrador da minha própria empresa”. As informações são dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.
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