Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Meu nome é Paulo Renato Robattini. Hoje sou empresário do ramo de tecnologia, mas, antes de qualquer título profissional, carrego comigo uma formação que moldou quem eu sou como homem, como pai e como cidadão.
Em 1995, fui aluno do curso de Infantaria do CPOR/PA, Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Porto Alegre do Exército Brasileiro, período em que meu nome era simplesmente Robattini. Na época, eu era apenas mais um jovem tentando descobrir meu lugar no mundo. O que encontrei no ambiente militar foi algo raro: uma estrutura sólida de valores e propósito que ultrapassou em muito os limites da caserna.
Servir ao Exército nunca representou, para mim, apenas cumprir uma etapa de instrução. Foi um verdadeiro divisor de águas. Valores que antes pareciam conceitos teóricos — hierarquia, respeito, senso de missão, companheirismo, responsabilidade — passaram a ser vividos diariamente, na prática, através da rotina, do esforço coletivo e da responsabilidade individual.
Aprendi que disciplina não é rigidez sem sentido, mas sim liberdade conquistada através do domínio sobre si mesmo. É a capacidade de manter postura e decisão mesmo diante das dificuldades. E aprendi, acima de tudo, que ninguém vence sozinho. Resultados sólidos nascem do trabalho coletivo, da disciplina constante e da capacidade de persistir quando o cenário não é favorável.
Foi fundamental na minha formação, o profissionalismo e a vibração do nosso Instrutor Chefe, hoje Cel R/1 Inf Angonese, a quem agradeço por todos os seus ensinamentos, pois tive a honra de fazer parte dos primeiros a serem comandados por ele nesse Centro.
No contexto do Rio Grande do Sul, onde tradição, honra e palavra dada possuem peso histórico e cultural, essa formação ganha ainda mais significado. O espírito militar encontra eco na alma gaúcha, e isso torna a experiência ainda mais profunda para quem tem a oportunidade de vivenciá-la.
No dia 13 de fevereiro de 2026, vivi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Ver meu filho Lucca — Aluno 610 Robattini — ingressando no mesmo caminho que trilhei há mais de três décadas. Foi algo que palavras não conseguem traduzir. Existe um sentimento único em testemunhar um filho iniciar uma jornada que sabemos, por experiência própria, ter poder real de transformação.
Não se trata apenas de uma possível carreira militar, mas, acima de tudo, de formação humana. O contato com desafios reais, metas claras e responsabilidades que ultrapassam o interesse individual constrói maturidade e visão de longo prazo.
Sei que virão dias difíceis, momentos de dúvida e cansaço. Mas também sei que cada obstáculo superado será um passo na construção de um homem preparado para a vida real. O Exército ensina algo que a sociedade moderna muitas vezes esquece: a importância de se levantar após quedas sem dramatização, resolver problemas sem procurar culpados e assumir responsabilidades sem terceirizar decisões.
Em tempos em que muitas referências são frágeis, essa base se torna um diferencial real para a vida inteira. O ambiente militar fortalece valores como honra, lealdade, comprometimento e resiliência — pilares que sustentam não apenas uma carreira, mas uma existência plena.
Outro ponto fundamental é a continuidade desse vínculo com os colegas e com a instituição através da AOR2/RS — Associação de Oficiais da Reserva do Rio Grande do Sul. É essencial que os alunos compreendam desde cedo a importância de manter esse laço.
A Associação mantém viva a camaradagem, fortalece a rede de apoio profissional e pessoal e preserva a história construída por cada turma ao longo dos anos. Com gabinete dentro da estrutura da própria unidade do CPOR/PA, que facilita o acesso, orienta os recém-formados e mantém a tradição de união entre as gerações.
No dia da formatura do meu filho, tive a alegria de reencontrar diversos camaradas de outros anos, além de veteranos como um oficial R2 formado em 1963 Carlos Augusto Santiago Nobre, antigo Presidente da AOR/2-RS.
Também estava presente o Tenente R/2 Cav Marcio Bins Ely, que foi da minha turma de 1995, porém de Cavalaria — hoje Vereador em Porto Alegre e membro ativo da associação. Mesmo pertencendo a armas diferentes, mantemos uma amizade sólida, o que reforça uma das maiores características das formações militares: a união entre especialidades distintas em torno de uma missão comum. São laços que o tempo não apaga.
Para aqueles que desejam manter esse vínculo ou buscar mais informações sobre a associação, a AOR/2-RS está disponível. O contato para quem quiser se associar ou conhecer melhor o trabalho é pelo site www.aor2rs.com.br . É uma porta aberta para continuar fazendo parte dessa família, mesmo após deixar a ativa.
O tempo passa, a tecnologia evolui e o mundo muda rapidamente. Ainda assim, certos pilares permanecem inabaláveis. O espírito militar é um deles. Em um cenário cada vez mais imediatista, formar jovens capazes de suportar pressão, tomar decisões sob estresse e manter valores firmes não é apenas desejável — é necessário.
Tenho orgulho da minha trajetória e ainda mais orgulho de ver meu filho iniciando a dele. Que cada novo aluno compreenda que essa jornada exigirá esforço, humildade, disciplina e coragem diária, mas entregará crescimento real, amizades duradouras e uma base sólida para enfrentar qualquer cenário profissional, familiar ou pessoal que a vida apresentar.
O uniforme pode um dia ser guardado. Mas os valores permanecem para sempre. E isso ninguém tira. Desejo a todos novos alunos de 2026 um ótimo aprendizado, foquem nos estudos e sejam diferenciados no TFM – Tarefa Física Militar. BRASIL! ACIMA DE TUDO!
* Paulo Renato Robattini – empresário, antigo aluno do CPOR/PA, 2° Ten R/2 Inf 1995. Associado à AOR/2-RS
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