Terça-feira, 26 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Crédito não decolou e impede o crescimento da economia brasileira

Compartilhe esta notícia:

A tendência atual de maior convergência entre visões diferentes sobre a economia tem sido puxada pela queda tanto do otimismo quanto do pessimismo extremos. (Foto: Reprodução)

A economia brasileira cresceu 1% em 2017. A expectativa é que avance quase 3% este ano. Mesmo assim, o estoque de crédito não cresce. Um dos motores do crescimento nos anos anteriores à crise, o crédito parou exatamente no momento em que a taxa Selic, os juros básicos da economia, está no menor patamar histórico: 6,5% ao ano. A proporção da massa de crédito em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 49,6% em dezembro de 2016 para 46,4% em fevereiro deste ano, o último dado disponível. Menor oferta de crédito, inadimplência ainda elevada, mais de 13 milhões de desempregados e as incertezas fiscais e políticas explicam esse movimento, dizem especialistas.

Em 2016 e 2017, as concessões de crédito totais, tanto para empresas como para famílias, caíram 3,5% e 0,5%. Espera-se alta este ano, mas, com o cenário indefinido, as projeções variam dos 4,6% da LCA Consultores aos 8,5% da Tendências Consultoria. Os grandes bancos estimam alta de 5%.

“O principal sentimento em relação a qualquer coisa é a cautela. Isso sem falar no desemprego. Houve melhora no último trimestre do ano passado, mesmo que somente de vagas informais. Todos acreditavam que a melhoria seria mais vigorosa, mas não está sendo”, diz Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional de Crédito, Financiamento e Investimento).

Ele cita ainda a antecipação da corrida eleitoral e a intervenção militar no Rio como eventos que estão mexendo com a economia. A redução da oferta de financiamentos é o obstáculo mais evidente para a expansão do crédito. Na avaliação de João Augusto Salles, especialista em bancos da consultoria Lopes Filho & Associados, o crédito só vai acelerar se as instituições financeiras aumentarem as linhas no segundo semestre.

“Os bancos ainda estão muito seletivos e criteriosos na oferta de crédito, especialmente para empresas, segmento onde houve muitas renegociações de dívidas. O risco corporativo ainda é grande”, diz Salles, lembrando que a definição do quadro eleitoral pode melhorar (ou não) a expectativa para 2019. “A expectativa é que a oferta de crédito só acelere no segundo semestre, quando o horizonte econômico para 2019 ficar mais claro. Se continuar na velocidade atual, o crédito ficará estável este ano.”

Só no último trimestre de 2017, os bancos passaram a prever aumento da oferta de financiamentos, o que não acontecia desde 2011, diz Vitor Velho, economista da LCA Consultores:

“O Banco Central faz pesquisa qualitativa com os bancos sobre expectativa de oferta e de demanda de crédito. A avaliação varia de -2 a 2. Pela primeira vez desde 2011, está no terreno positivo, em 0,14. No primeiro trimestre de 2015, chegou a mínima histórica, -1,2. Isso também explica um pouco esse movimento do crédito andando de lado.”

Segundo o economista Estêvão Kopschitz, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), enquanto o estoque de crédito para pessoas físicas vem avançando por volta de 3% frente ao ano anterior desde outubro, para as empresas ainda está caindo cerca de 10% desde julho passado:

“Estava caindo 15% e passou a cair 10%. Esperávamos que as quedas fossem diminuindo, mas não foi o que aconteceu.”

O saldo de crédito para as empresas em relação ao PIB caiu de 24,7% em dezembro de 2017, para 21,3% em fevereiro. Já para pessoas físicas subiu, no mesmo período, de 24,9% para 25,1%.

Velho, da LCA, acredita que as empresas, com a queda dos desembolsos do BNDES em cerca de 22% em 2017 e os juros mais altos cobrados pelo banco de fomento, voltaram-se para o mercado de capitais. A captação no ano passado subiu 70%: “Sem o BNDES, as empresas buscam outras fontes. Há um redesenho do mercado de crédito”.

Nas projeções de Salles, da Consultoria Lopes Filho, as operações de crédito devem ficar estáveis no primeiro semestre. Salles ressalta, contudo, que quando se olha o desempenho do crédito num prazo mais longo, vê-se avanços: “O saldo do consignado subiu 7,9% em 12 meses, o que mostra que há movimento mais forte em algumas linhas”, diz Salles, afirmando que a projeção do BC é de alta de 3%.

Velho lembra que o BC também reduziu a parcela dos depósitos à vista retida pelo banco, o chamado compulsório, de 40% para 25%. Reduziu também a da poupança, de 24,5% para 20%: “Essa mudança costuma impulsionar o crédito”.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Empreiteiro Marcelo Odebrecht segue rotina simples na carceragem da Polícia Federal
Aeroporto Salgado Filho volta a operar após ficar fechado em razão da neblina
Pode te interessar