Sábado, 16 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de dezembro de 2015
Neste domingo (06), os venezuelanos irão às urnas escolher seus representantes na Assembleia Nacional, numa eleição que, segundo institutos de pesquisa, deverá dar à oposição o controle do Parlamento. Os últimos levantamentos indicam que a oposição tem entre 15 e 30 pontos de vantagem.
A defasagem na intenção de votos, inclusive em redutos chavistas, é compreensível diante da grave situação econômica do país. Os venezuelanos hoje convivem com a maior inflação do planeta (200%); sofrem com o desabastecimento dos itens mais básicos, como produtos de higiene pessoal e alimentos; e se sentem inseguros sob um dos maiores índices de violência urbana do continente.
Além de sofrerem com a falta de insumos e de perspectivas, os empresários do país, por sua vez, são asfixiados pela intervenção do governo em seus negócios, mediante ações como controle de preços.
A economia venezuelana depende quase totalmente dos recursos do petróleo. Enquanto os preços da commodity estiveram em patamares extraordinariamente altos, o caudilho Hugo Chávez conseguiu financiar sua “revolução bolivariana” para instalar o “Socialismo do Século XXI”. Porém, quando Maduro assumiu, em 2013, após a morte de Chávez, os ventos já sopravam em outra direção. A crise financeira global de 2008 gerou tsunamis por todo o planeta, e os preços do petróleo despencaram — também ajudados pela exploração do “gás não convencional”, nos EUA.
Sem dinheiro para financiar o assistencialismo e a generosidade fiscal, os erros de gestão se tornaram evidentes, agravando a situação. À proporção que a crise se instalava de forma definitiva no cotidiano da população, o governo revelava ainda mais seu lado autoritário, culminando na reação truculenta das forças policiais e de milícias bolivarianas nas manifestações de fevereiro de 2014. O saldo: mais de 30 mortos e 800 feridos, outros 400 torturados e 3.700 prisões ilegais, de acordo com a denúncia contra o governo de Maduro apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, em novembro.
O caso mais recente foi assassinato a tiros na semana passada do candidato da oposição Luis Manuel Díaz, quando estava em um comício. O autoritarismo do regime preocupa a comunidade internacional. E há boa razão para isso. O governo não aceitou a presença de observadores internacionais da OEA e da UE, limitando a supervisão do pleito a uma missão da Unasul, embora vetando nomes, como o do representante brasileiro Nelson Jobim, ex-presidente do TSE e do STF.
No mais recente sinal suspeito, as autoridades retiveram no aeroporto uma equipe de jornalistas da CNN, alegando problemas com o visto. O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela classificou como ato de censura, que também atingiu uma equipe da rede mexicana Televisa. É preciso, diante de tantas evidências de autoritarismo, que a comunidade internacional, governos e instituições estejam atentos ao pleito. (AG)
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