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Política Crescimento de Jair Bolsonaro nas pesquisas inclui o Brasil em onda conservadora global: o deputado tem sua melhor aceitação entre eleitores com maior renda e nível de escolaridade

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O apoio a Bolsonaro se concentra, em maior grau, entre os que nasceram durante o processo de redemocratização. (Foto: Agência Câmara)

O Datafolha revela os reflexos dos desdobramentos da Operação Lava-Jato e da impopularidade das reformas propostas pelo governo sobre o cenário político brasileiro. Temer alcança reprovação próxima à obtida por Dilma Rousseff às vésperas do impeachment. A maioria dos eleitores também desconfia do Congresso e dos partidos. Para completar, o envolvimento de várias siglas em delações combinado à agenda antissocial do governo deu certo alívio ao PT, que até viu a simpatia pelo partido crescer nos últimos quatro meses.

Como consequência, as taxas de intenção de voto em Lula variaram positivamente no mesmo período, apesar de seu governo passar a ser apontado como o mais corrupto pós-redemocratização. Mas nenhum outro resultado é tão simbólico quanto o crescimento expressivo das intenções de voto em Jair Bolsonaro (PSC) – seis pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado e 11 pontos considerando-se a última pesquisa de 2015.

O candidato fica empatado com Marina Silva na segunda colocação nas situações em que Lula é incluído e se isola nessa posição quando tanto o petista quanto o tucano João Doria são excluídos. A performance recente de Bolsonaro coloca o Brasil no mapa da onda de extrema direita, que pautou as últimas eleições nos EUA e na Europa.

A candidatura encontra ambiente adequado na tendência conservadora de parcela significativa do eleitorado brasileiro, especialmente sobre valores e comportamento, revelada pelo Datafolha ao longo dos anos –por meio da concordância com temas polêmicos, a maioria da população (55%) pende à direita. Em termos demográficos, a intenção de voto no deputado reflete seu discurso – é muito maior entre os homens do que entre as mulheres e diminui à medida que aumenta a idade do eleitor.

O apoio a Bolsonaro se concentra, em maior grau, entre os que nasceram no processo de redemocratização, após o período mais violento da ditadura militar. Entre os que têm 60 anos ou mais, menções a ele caem para metade da média.

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