Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação O Sul | 20 de março de 2026
O governo está em processo de constante elaboração e revisão de cenários sobre a evolução da guerra no Irã e seus impactos econômicos, sobretudo no preço do petróleo e na situação de abastecimento. A incerteza sobre a duração do conflito é a principal dificuldade, porque depende não só de entender qual o objetivo de Donald Trump com os ataques, mas também da postura do país do Oriente Médio.
Nesse sentido, já houve dentro do governo também uma mudança nas expectativas. Integrantes da equipe econômica que antes projetavam a possibilidade de um conflito curto, já que Trump poderia sofrer nos Estados Unidos o ônus político de uma guerra longa, avaliam agora que o americano não tem uma justificativa para interromper os ataques e que, por isso, a situação pode se alongar.
Assim, a possibilidade de a guerra se arrastar por meses é vista hoje como uma realidade. Isso teria um impacto pesado no preço do petróleo e poderia levar à desmobilização das estruturas de transporte do mineral. Caso aconteça a desmobilização do transporte, a retomada seria mais demorada quando o conflito terminasse.
Na construção desses cenários estão sendo feitos também exercícios sobre o tipo de ação deverão ser tomadas no curto, médio e longo prazos. É um mapa do caminho, mas com muitas dúvidas.
Algumas medidas já foram acionadas, como a desoneração de PIS/Cofins, combinada com uma subvenção de R$ 10 bilhões para o diesel, além de um aperto na fiscalização da distribuição de combustíveis e do pagamento do preço mínimo do frete aos caminhoneiros.
O governo negocia uma redução do ICMS na importação do diesel, com a União bancando 50% do benefício, a um custo de R$ 6 bilhões em dois meses, segundo o ministério da Fazenda. Mas interlocutores apontam que, em um cenário de extensão do conflito, essa discussão pode evoluir para uma redução do ICMS também sobre o produto nacional, que também dependeria de uma compensação da União, só que bem mais vultosa – a receita de ICMS do diesel é da ordem de R$ 80 bilhões ao ano.
O aumento da subvenção ao diesel é outra possibilidade que entra no cardápio, que também dependeria de espaço fiscal. O aporte de recursos da União para segurar os preços é um caminho que afeta menos a Petrobras, embora, como fica claro no tom dos discursos de Lula e de vários ministros lamentando as privatizações de refinarias e da BR Distribuidora (que teriam tirado espaço de ação do estado), o governo espera que a estatal também dê sua cota de contribuição. Não à toa, o decreto sobre a subvenção ao diesel facilita à estatal operar com preço mais baixo ao dar tratamento diferenciado entre nacional e importado.
Às vésperas da edição da medida provisória que reduziu impostos sobre diesel, o governo chegou a discutir outras medidas, como a elevação das misturas de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, mas fatores técnicos, como possíveis impactos negativos nos motores, deixou o tema sobrestado, ainda que sua retomada não possa ser totalmente descartado.
Os cenários mais drásticos, como o petróleo chegando a US$ 150, não estão postos e teriam custos mais elevados. Por isso, um caminho natural seria decretar calamidade pública, o que poderia tirar algumas amarras de atuação, tanto do ponto de vista fiscal como de alguma outra natureza. Porém, essa possibilidade é vista como remota neste momento. As informações são do jornal O Globo.
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