Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2026
As sucessivas crises enfrentadas pela campanha do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vêm alterando a dinâmica da disputa pelo eleitorado de direita. Adversários passaram a enxergar uma oportunidade para avançar sobre segmentos que, até pouco tempo, pareciam consolidados em torno do bolsonarismo.
Nos bastidores, as campanhas de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) relatam um aumento da receptividade entre empresários, representantes do agronegócio, lideranças religiosas e integrantes do Centrão.
A estratégia, porém, não se limita à busca por novos apoios. Nos últimos dias, Caiado e Renan passaram a subir o tom dos ataques públicos contra Flávio e outros integrantes da família Bolsonaro, enquanto Zema intensificou agendas reservadas com setores considerados estratégicos.
Nesta semana, pesquisa Genial/Quaest mostrou o senador estacionado nas intenções de voto. Para seus rivais, porém, um dos principais dados diz respeito à perda de apoio de Flávio entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas, cuja intenção de voto caiu de 74%, em maio, para 54% neste mês.
Troca de estratégia
Caiado é quem mais alterou a estratégia nas últimas semanas. Se antes ele concentrava suas críticas no presidente Lula, agora Flávio e o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro são alvos de sua ofensiva.
A escalada ficou evidente durante a crise provocada pelo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros e também depois das falas de Flávio sobre o processo eleitoral durante um encontro com embaixadores.
Caiado afirmou que Flávio desperdiçou a oportunidade de defender interesses econômicos ao priorizar o debate sobre urnas eletrônicas. Ontem, ele ironizou a reconciliação entre senador e Michelle Bolsonaro: “Casos de família”.
Marqueteiro de Caiado, Paulo Vasconcelos diz que o tom será mantido nos debates.
Já Zema tem ampliado uma agenda voltada a segmentos tradicionalmente relacionados ao bolsonarismo, como agronegócio, empresariado e lideranças religiosas. O diagnóstico é que eles ainda são simpáticos ao clã, mas passaram a buscar alternativas na direita que não carreguem os desgastes de Flávio.
O agronegócio ocupa posição central nessa estratégia. Depois do anúncio do tarifaço, Zema passou a reforçar a presença em eventos do setor e intensificou reuniões com entidades ligadas ao campo. Na semana passada, ele também esteve reunido com usineiros em Ribeirão Preto (SP).
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles avalia que os conflitos internos da família Bolsonaro deveriam ter permanecido no ambiente privado.
“Está começando a ter um desgaste e, se isso não for contido, sem dúvida nenhuma, vai ter uma reversão desse processo (de apoio a Flávio)”, disse Meirelles.
Renan Santos é quem fala de forma mais explícita sobre disputar o eleitor bolsonarista. “É uma candidatura que tinha que manter o legado do pai. O eleitor dele não está motivado”, afirmou.
Na noite de quarta-feira, após a divulgação de que o escritório de advocacia de Flávio foi contratado por uma empresa vinculada a uma consultoria que recebeu repasses do Banco Master, Renan foi às redes sociais para pedir que o senador abandone as eleições: “Por favor, pare de nos atrapalhar.”
Apesar dos desgastes, o PL não pretende substituir Flávio como candidato ao Planalto. A tática é tentar reverter o cenário, intensificando ataques a Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF), temas considerados capazes de mobilizar a militância. As informações são do jornal O Globo.
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