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Mundo Crítica à interferência externa em eleições, combate ao crime organizado e defesa do Pix: os recados de Lula na ONU

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Lula em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York, nessa terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma série de recados sobre temas relacionados à relação do Brasil com os Estados Unidos e de questões internas. Sem citar o líder americano Donald Trump diretamente, Lula criticou a interferência externa em eleições de outros países.

A 12 dias da eleição, Lula também defendeu medidas do seu governo, como a aprovação da Lei Antifacção.

O presidente Lula iniciou seu discurso com críticas ao Conselho de Segurança da ONU e à organização. O brasileiro adotou um tom ainda mais duro do que o de costuma ao tratar do tema.Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.”

Lula também falou sobre a crise da democracia e disse que o Brasil não é quintal de ninguém. Disse que para os “países da América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”.O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. Os países da região conheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse.

O presidente brasileiro afirmou que o acesso aos minerais críticos do País exigirá contrapartida. “Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética. Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro, e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.”

O presidente do Brasil mandou um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao abordar o combate ao crime organizado. Disse que não o país não precisa de porta-aviões vigiando nossas águas.Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados. Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.”

Na sequência, Lula tratou da aprovação da Lei Antifacção.Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.”

Combate à corrupção

Lula tratou sobre combate a corrupção ao afirmar que sua gestão foi “implacável” em relação ao tema. Repetiu a frase usada durante a campanha eleitoral, especialmente após o acirramento da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), de que “ninguém está acima da lei”:Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.”

Tarifaço

Lula afirmou que o Brasil deve bater novo recorde de exportações neste ano, apesar do tarifaço imposto à economia brasileira pelos Estados Unidos.O Brasil voltou a crescer de modo sustentável. Somos o terceiro maior destino de investimentos estrangeiros diretos. Apesar do tarifaço contra a nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, disse Lula.

Em outro trecho do pronunciamento, Lula afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “respira por aparelhos” e criticou medidas protecionistas adotadas sob justificativas ambientais.

Defesa do Pix

O presidente fez ainda uma defesa do Pix, um dos pontos citados pelos EUA ao aplicar o tarifaço contra o Brasil.Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros.”

Floresta Amazônica

Lula enfatizou a centralidade da Amazônia nas estratégias ambiental e de segurança pública do país. Ao abordar o combate às mudanças climáticas, disse que a redução do desmatamento no bioma caiu pela metade, atingindo o menor nível dos últimos 11 anos.

“Não renunciaremos à agenda ambiental. Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas. A floresta vale mais em pé do que destruída”, disse.

Durante o discurso ele ainda destacou a autossuficiência do país em petróleo e afirmou seguirá “pesquisando o potencial” de novas reservas, como as da Margem Equatorial. No plano de segurança pública e da cooperação regional, apontou a Amazônia como peça-chave no enfrentamento ao crime organizado transnacional. As informações são do jornal O Globo.

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