Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 10 de agosto de 2026
O empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, trocou a equipe de advogados que atua em sua defesa em uma tentativa de adotar novas estratégias jurídicas para deixar a prisão e conseguir o cumprimento da medida em regime domiciliar. A mudança ocorre no contexto das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.
O escritório do criminalista Celso Vilardi deixou o caso. O advogado havia assumido a defesa de Zettel em uma atuação coordenada com o então advogado de Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima. A estratégia envolvia a tentativa de articular uma delação premiada conjunta dos dois investigados.
As negociações, no entanto, não avançaram. Após duas tentativas de acordo de delação envolvendo Vorcaro fracassarem e sem conseguir obter a revogação da prisão de Zettel, Vilardi deixou de atuar na defesa do empresário e pastor. Com a saída do criminalista, Zettel passou a contar com uma nova equipe para conduzir as medidas jurídicas relacionadas ao caso.
Para assumir a defesa, Zettel constituiu a equipe da advogada Vanessa Souza, que também possui atuação judicial na Inglaterra. A profissional já trabalhou em processos relacionados ao bilionário Elon Musk e atua na representação de empresas estrangeiras envolvidas em processos judiciais no Brasil. Atualmente, ela também cursa mestrado em direito penal econômico em Londres.
A nova defesa deverá apresentar aos investigadores esclarecimentos sobre a atuação de Zettel e sustentar que a prisão do empresário estaria relacionada ao que os advogados classificam como uma questão de “osmose familiar”. A argumentação considera que eventuais elementos relacionados à periculosidade de outros investigados estariam sendo associados a Zettel em razão de sua relação familiar com Vorcaro.
Segundo a estratégia da defesa, Zettel não teria participado de forma ativa dos fatos que são investigados pelas autoridades. Os advogados também devem argumentar que ele não apresenta riscos de obstrução das investigações, ponto que poderá ser utilizado para questionar a necessidade da manutenção da prisão preventiva.
Zettel foi preso em março deste ano, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura fatos relacionados a diferentes envolvidos e, no caso de Zettel, ele foi acusado de atuar em conjunto com Vorcaro no pagamento e na manutenção de uma milícia armada.
De acordo com as acusações apresentadas no âmbito da investigação, o grupo seria comandado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. A defesa de Zettel, por sua vez, deverá buscar diferenciar a atuação do empresário daquela atribuída aos demais investigados e apresentar aos investigadores sua versão sobre os fatos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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