Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 20 de setembro de 2018
Pesquisa do Datafolha aponta que a maior parte do eleitorado dá pouca ou nenhuma importância ao candidato a vice na eleição presidencial. Em levantamento feito entre a terça e a quarta-feira, 29% dos entrevistados disseram que não há nenhuma importância no nome a vice no pleito presidencial, e 25% consideram a questão com “um pouco de importância”.
Consideram o vice uma questão de “muita importância” na eleição 43% dos eleitores entrevistados, e 3% não souberam responder.
Os vices ganharam um peso maior na eleição deste ano por dois fatores. Primeiro, o PT inicialmente escolheu Fernando Haddad para essa função em sua chapa, antes de o ex-presidente Lula ter o registro de sua candidatura avaliado na Justiça Eleitoral. Com Lula preso em Curitiba, Haddad atuou em agendas de campanha em nome do ex-presidente. No último dia 11, Haddad foi colocado pelo partido como cabeça da chapa.
Outro vice ganhou importância na corrida eleitoral: Hamilton Mourão (PRTB), general da reserva, passou a ser um representante de Jair Bolsonaro (PSL) em atividades da campanha, já que o presidenciável está hospitalizado desde que foi esfaqueado, há duas semanas.
Além disso, o PT costuma ser criticado na campanha por ter escolhido para vice em 2014 Michel Temer (MDB), que assumiu a Presidência com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Para responder à pergunta “O nome do vice do seu candidato à Presidência têm muita importância?” a pesquisa Datafolha ouviu 8.601 eleitores entre os dias 18 e 19 de setembro (registro na Justiça Eleitoral: BR-06919/2018). Muita importância foi a resposta de 43% dos entrevistados. Um pouco de importância, disseram 25%. E nenhuma importância para 29%. Apenas 3% disse que não sabe.
Histórico
No sistema presidencialista, o vice assume papel determinante em meio às crises políticas. Em 1954, o vice-presidente Café Filho abandonou Getúlio Vargas durante a crise que resultou no suicídio do então presidente. Café assumiu o governo e permaneceu no poder até novembro de 1955. Em 1961, uma nova crise foi gerada com a renúncia de Jânio Quadros: João Goulart assumiu o governo e permaneceu no poder até ser derrubado por um Golpe de Estado em 1964.
Nos dois casos, o vice-presidente em questão tinha posições políticas diferentes do presidente. Na época, as eleições eram separadas: a população escolhia o presidente e também o vice.
Com o modelo de chapa única do presidencialismo atual, é necessária uma composição entre os partidos antes das eleições. No final de 2015, Temer já demonstrou sinais de um possível rompimento com o governo por meio de uma carta endereçada a Dilma, dizendo que se sentia um “vice-decorativo”.
Antes de ser vice de Jânio, João Goulart também tinha sido vice-presidente de Juscelino Kubitschek (PSD) que assumiu após o suicídio de Getúlio. Em meio a ameaças de golpe, naquele momento, Jango teve um papel de estabilizar o governo como vice-presidente.
Na primeira eleição de um presidente civil após o período militar, o mineiro Tancredo Neves (MDB) foi o escolhido por votação indireta, tendo como vice na chapa José Sarney, então do Partido Frente Liberal (PFL). A legenda foi criada por meio da Aliança Democrática, uma reunião de vários partidos que se juntaram para eleger Tancredo.
Com a internação de Tancredo Neves na véspera da posse, Sarney assumiu o governo interinamente. Ele se tornou presidente definitivo em 21 de abril de 1985, com a morte de Tancredo. Sarney governa até 1989, quando acontecem as primeiras eleições diretas após o período ditatorial, em que venceu Fernando Collor de Melo.
Em meio a uma crise política por denúncias de corrupção, o presidente Fernando Collor foi afastado da Presidência da República no dia 2 de outubro de 1992, após a instauração da comissão de impeachment no Senado. O vice-presidente Itamar Franco assumiu provisoriamente e começou a escolher sua equipe ministerial, enquanto corria o processo de impedimento no Congresso.
No dia 29 de dezembro de 1992, no dia em que o Senado votaria o processo de impedimento, Collor renuncia para evitar a cassação e Itamar Franco passa a exercer efetivamente o papel de presidente do País até as próximas eleições.
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