Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de maio de 2017
E todos perguntam e se perguntam: “e afinal, como é que vai ficar essa situação? Aos que, como eles, me dão o pressuposto do conhecimento futurista, resta-me lembrar que me afastei – espontaneamente, diga-se de passagem – há quase vinte e cinco anos da vida político partidária.
Estou tão surpreso – e não me tenho por ingênuo – quanto os tantos que, como eu, atualmente, não atuam no campo enlameado da corrupção contemporânea. Lidei com muitos parlamentares (e quero referir-me aos gaúchos: eramos 34 deputados federais e 3 Senadores). Havia divergências irreversíveis; partido era instituição respeitada. Diria que se cultivava um certo fanatismo aceitável (será que existe?). Os debates eram muito acalorados. Ninguém levava o adversário “pra compadre”. No entanto, nos quase vinte anos em que militei na política (e era debate um dia sim o outro também), nunca ataquei a honorabilidade de (as vezes) meus ferozes adversários, podendo dizer que a recíproca era verdadeira. Jamais recebi ataque, nem mesmo qualquer alusão de conduta desonesta, ainda que estivesse defrontando-me com um adversário fanático. De verdade, da nossa bancada das cercanias das décadas de 80/90 havia um – só ele – de quem não se tinha folha corrida; era o único por quem ninguém botaria a mão no fogo (e o pior: continuou no ramo e, em matéria de finanças pessoais, foi “milagrosamente exitoso”).
A gente usava o distintivo da Câmara e/ou do Senado com orgulho. O parlamentar era respeitado. Diria mais: prestigiado, porque, nos jornais encontrávamos seu nome e suas iniciativas na página política; não, como agora, quando, dia após dia, é mais fácil (não todos mas um grande número) localiza-los na coluna policial. Por isso, escondem os distintivos. Fazem esforço para não serem reconhecidos. Tem medo do povo que os elegeu e a quem representam. Pelo menos, teoricamente.
O que é garantido é que eles passarão e o Brasil continuará, maior do que a maior das crises. Vai recuperar-se, lamber as feridas e, em nome e pelo esforço do seu povo, reencontrar-se com seu “caminho de Compostela”.
Sem vingança, mas com Justiça, punir os que lesaram os cofres públicos; criminosos, ao faze-lo, roubaram a saúde do enfermo; a escola da criança; a segurança, do cidadão; o emprego do trabalhador; o patrimônio, do empresário.
Condenem-se os culpados (seja Presidente, Ministro, Senador, Deputado, Juiz, Promotor, Empresário milionário etc). Não importa; na cela, também tem lugar para “colarinho branco”. Continuar como vem fazendo admiravelmente a Lava Jato que parece ser a precursora de um novo tempo para o país.
O que não se pode admitir mesmo, (me faz mal ver os empresários (irmãos da JBS), com ar de “heróis” da nacionalidade, explicando “estratégias” de delação de “espionagem” investigação, posando de herói fictício ator global, como se não tivessem “culpa no cartório”). E tem, e muita. Toda a sua fortuna: do açougueiro ao poderio de 92 fábricas pelo mundo afora, foi feito com o dinheiro, quase de graça, do BNDES (que dizer: do senhor e da senhora). Parceiros e afilhados, e muito associados aos governos Lula e Dilma – que, como sempre, não “sabiam” de nada; nem do milagre dos bilhões dos “magnatas” interioranos que moram na 5ª. Avenida em Nova York, e tem a capacidade pigmaleonica de, rapidamente, trocar a roupagem e conversar – íntimos, numa parceria comprometedora – com Temer, nessa formação de um Sindicato criminoso que não se importa nem se vincula com ideologia e, muito menos, com Moral e Ética.
Por que premia-los? Ao contrário, eles estão fazendo falta no banco dos réus, em Curitiba.
PS.: hoje, sou generosamente bem tratado pelos que me reconhecem. Meu maior título é ser “EX”.
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