Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de fevereiro de 2018
Pré-candidato à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que foi “vender o seu peixe” a empresários, executivos e investidores nacionais e internacionais, após sua participação em um grande evento promovido anualmente pelo banco BTG Pactual. “O mercado sempre me achou um rinoceronte. Vou me dar por satisfeito se sair daqui com vocês me achando um homem das cavernas”, ironizou o polêmico parlamentar, que tenta suavizar a sua imagem para ser melhor “deglutido” pelo mercado e outros setores.
O badalado evento, intitulado “CEO Conference”, foi especialmente disputado neste ano: 2,5 mil participantes de 140 empresas (considerando as casas de investimento). O Brasil é o grande assunto na pauta, com focos variados. A apresentação dos temas pelos palestrantes, no formato de entrevista – conduzida pelo veterano jornalista Augusto Nunes – foi marcada pela baixa profundidade na abordagem dos temas econômicos, de acordo com a avaliação de especialistas que acompanharam a programação.
Com Bolsonaro, não foi diferente. Ele mais uma vez admitiu não ter conhecimentos técnicos (“Não sou o cirurgião”, disse ele em mais uma de suas declarações) e voltou a dizer que gosta dos pensamentos e ideais do economista Paulo Guedes, presidente do conselho de administração e estrategista da empresa Bozano Investimentos.
Ele prometeu apresentar a composição de seu ministério antes da campanha eleitoral, como forma de “demonstrar que não fará loteamento de cargos”, e se mostrou favorável à reforma da Previdência, “desde que sejam preservados os direitos dos militares”.
Incógnita
Da linha ultraconservadora, Bolsonaro é pouco conhecido de investidores internacionais, o que despertou grande interesse dos participantes. Com uma postura diferente da agressividade que costuma emprega nos embates com adversários políticos e ideológicos (ou mesmo com repórteres que o interpelam sobre temas polêmicos), ele tentou – e às vezes conseguiu – arrancar risadas.
Também falou que a China não está investindo no Brasil, mas sim “comprando o País”. O maior entusiasmo da plateia foi com os comentários do pré-candidato sobre segurança pública e suas críticas ao PT e a programas assistenciais como o “Mais Médicos”.
Outros
Quem abriu o evento foi o Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (MDB), e o secretário do Tesouro, Eduardo Guardia fizeram palestras durante à tarde, sobre a situação fiscal do País.
O economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa, abriu o segundo dia da “CEO Conference” com um debate sobre o crescimento econômico no Brasil. Ocuparam o microfone, ainda, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrando as apresentações.
Além do Brasil, os debates simultâneos giraram em torno de temas da atualidade como “a revolução do Blockchain” e “a era da inteligência artificial”. A badalação do evento – em sua décima-nona edição – se dá principalmente pela quantidade de investidores e empresários reunidos. Realizado no hotel Hyatt, os participantes têm diversas reuniões nos quartos, que são transformados em uma versão improvisada das salas de reuniões.
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