Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de fevereiro de 2018
Diante de uma plateia formada por apenas outros oito colegas e alguns jornalistas, o senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) lançou a sua pré-candidatura à Presidência da República. Eleito presidente em 1989 pelo hoje extinto PRN (ao derrotar Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno) com apenas 40 anos de idade e deposto por impeachment em 1992, o parlamentar argumentou ser o nome que melhor pode representar uma candidatura “de centro, progressista e liberal”, garantindo reunir as credenciais necessárias para comandar novamente o País em um momento conturbado como o atual.
“O que nós precisamos é de equilíbrio e maturidade”, ressaltou Collor, que em agosto próximo completará 69 anos. “Um centro democrático progressista e liberal, que não mais se prenda ideologicamente a meros rótulos da esquerda ou da direita. Um centro que saiba atribuir a cada ente a sua competência. Ou seja, ao Estado, o que é do Estado; ao mercado, o que é do mercado.”
Advogando para si certa generosidade em oferecer o seu próprio nome à disputa eleitoral, Collor teorizou: “Seria covardia de minha parte renunciar à verdade e desviar de mais um desafio que o destino me impõe”. Ele descreveu seu próprio perfil como o de alguém que conjuga “vivência com coragem, conhecimento com a confiança, a serenidade com a disposição”.
“Façanhas”
Nascido no Rio de Janeiro mas criado em Alagoas, Fernando Affonso Collor de Mello foi prefeito de Maceió de 1979 a 1982, deputado federal de 1982 a 1986, governador de 1987 a 1989 e o 32º presidente da República de 1990 a 1992. No dia 29 de dezembro de 1992, ele renunciou ao cargo horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, perdendo os direitos políticos por oito anos. Posteriormente, voltou às disputas eleitorais e, desde 2007, é senador pelo seu Estado.
Ao listar o que considerou como principais “façanhas” de sua gestão à frente do Palácio do Planalto (que durou dois anos e meio), ele garantiu ter enxugado a máquina administrativa e aberto econômica e comercialmente o Brasil para o mundo: “Quebrei monopólios, privilégios e reservas de mercado”.
Também lamentou que “não lhe permirtiram fazer mais”, em alusão ao impeachment, e sugeriu que merece uma segunda chance. “Acabei com as famosas ‘carroças’ [os carros de fabricação nacional]. Introduzi a telefonia celular e os computadores de última geração. Sinto, profundamente, que não me tenham deixado concluir integralmente os cinco anos de governo”. Sobre o confisco dos depósitos bancários e cadernetas de poupança dos brasileiros, feito no início de seu governo, em março de 1990, não se ouviu palavra do ex-presidente.
Collor atribuiu a si mesmo até as condições necessárias à implantação do Plano Real, realizada em 1994 – quase dois anos após a sua cassação – pelo então presidente Itamar Franco, tendo como ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que o sucederia no cargo por dois mandatos (1995-2002). “Eu consegui índices econômicos favoráveis que permitiram a renegociação da dívida e lastro para a posterior implantação do Plano Real pelo meu vice-presidente, Itamar Franco”, afirmou Collor.
Collor, que discursou por 22 minutos, citou ainda filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860): “O destino embaralha as cartas e nós as jogamos”. Em seguida, deixou o plenário do Senado por uma saída lateral, sem falar com a imprensa.
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