Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2018
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiu a sua pré-candidatura à Presidência da República em outubro e já monta uma equipe. No sábado (13), Maia embarca para os Estados Unidos para estrear como presidenciável no ambiente internacional, enquanto encorpa sua agenda de viagens internas com o objetivo de consolidar uma aliança de pelo menos quatro partidos para a largada.
Além do DEM, tem conversas avançadas com PP e Solidariedade e namora PSD, PR e PRB, sonhando em atrair apoios em dois dos maiores partidos, PSDB e PMDB. Em sua viagem para Washington e Nova York, Maia terá encontros com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o português Antonio Guterres, dará entrevista para o jornal The Washington Post e pretende incluir um jantar com jornalistas e diplomatas. Depois, seguirá para Cancún, para um fórum econômico. Na volta a Brasília, ele poderá assumir a Presidência, caso Michel Temer mantenha a ida ao Fórum de Davos, na Suíça.
A primeira reação de Maia quando seu nome começou a ser considerado como “candidato de centro” foi refutar a ideia. Primeiro, avançou e depois recuou nas articulações para assumir a vaga de Temer caso as denúncias do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vingassem. Dizia e repetia que era cedo para almejar algo tão pretensioso e argumentava: “Sei do meu tamanho”. Porém, a pressão aumentou e ele agora assume que é pré-candidato.
Atrair parcelas do PSDB para sua eventual campanha presidencial faz parte da estratégia de Maia, que não admite nem para os aliados mais próximos, mas tem até um nome tucano para integrar como vice a sua chapa: o de Antonio Anastasia, que é aliado de primeira hora de Aécio Neves, foi governador de Minas Gerais, é considerado um bom técnico e um senador muito respeitado.
Além de potencialmente puxar uma ponta tucana, é de um Estado que faz uma conexão entre o Centro-Sul e o Nordeste. Anastasia tem feito declarações a favor do governador de SP, Geraldo Alckmin, mas continua na mira de Maia, com ajuda de Aécio Neves. Uma alternativa é a senadora Ana Amélia (PP-RS).
Na agenda de viagens do presidente da Câmara, ele vai nesta quarta-feira ao Espírito Santo, onde participa de reunião com governador Paulo Hartung (MDB) e o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE). Nesta quinta-feira (11), Maia emenda uma viagem a Santa Catarina para almoçar com o governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-senador Jorge Bornhausen, que foi um dos fundados do antigo PFL, articulou a mudança para DEM e, depois, liderou a debandada de democratas para o PSD. Esse almoço é uma largada para a reunião dos dois partidos em outubro.
Equipe
Além das viagens, Maia já começou a montar uma estrutura de pré-campanha e tem um marqueteiro e economistas de sua confiança para dar um tom profissional a seu discurso. Uma coisa que tem dito, com base em pesquisas, é que não adianta assumir posições excessivamente avançadas em temas polêmicos, como drogas, “porque a sociedade não aceita”. É assim que pretende se apresentar em contraposição ao conservadorismo de Jair Bolsonaro, mas sem tentar ir para o lado oposto, do que chamam de “vanguardismo”.
A estruturação profissional da campanha foi discutida por Maia em almoço na terça com Mendonça Filho e o prefeito de Salvador, ACM Neto, que vai assumir a presidência do DEM em fevereiro. Os dois são os principais formuladores da pré-campanha até agora, mas Maia recebe reforços de recém-chegados ao DEM, como os deputados Heráclito Fortes (PI), Danilo Forte (CE) e Tereza Cristina (MS), que vai assumir a forte Frente Parlamentar da Agropecuária.
A iniciativa privada, aliás, tem prioridade na estratégia de Maia, que tem tido reuniões com empresários do eixo Rio-Minas-São Paulo e tem sido requisitado por representantes do setor financeiro para expor suas ideias. Uma das ações de Maia nesse recesso parlamentar tem sido desfazer versões de que estaria trabalhando, por baixo dos panos, contra a reforma da Previdência, com votação prevista para 19 de fevereiro. “Todo mundo sabe que eu sou o primeiro a defender a reforma”, insiste ele, lembrando que tem enfrentado a onda pública contrária às mudanças.
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