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Mundo Deboche de Donald Trump pode prejudicar a nomeação do juiz indicado por ele à Suprema Corte dos Estados Unidos

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(Foto: Reprodução)

A forma como Donald Trump ridicularizou a psicóloga Christine Blasey Ford, que acusa seu indicado à Suprema Corte, Brett Kavanaugh, de violência sexual, pode custar politicamente caro: três senadores republicanos, considerados votos cruciais para o caso, criticaram a postura do presidente. Isso ampliou a tensão em Washington.

Um dia após ter dito que “seria inaceitável” que Kavanaugh tenha mentido no depoimento à Comissão de Justiça do Senado, na semana passada, sobre seu histórico de abusos de álcool — reportagens da imprensa revelaram episódios de excessos na adolescência — Trump voltou a ridicularizar Ford. Desta vez, num comício no Mississippi.

A psicóloga deu um forte depoimento ante o Senado, seguido da fala de Kavanaugh, que, em tom contundente, negou todas as acusações. Trump imitou de modo caricatural os gestos e a voz de Ford ao rememorar o discurso dela:

“Isso aconteceu 36 anos atrás, e eu tomei uma cerveja, certo?” Como ela chegou em casa? “Não lembro!” Como chegou lá? “Não lembro!” Onde era o bairro? “Não lembro!” Onde era a casa? “Não lembro!” Foi no andar de cima, no de baixo? “Não lembro! Não lembro! Tomei uma cerveja. Só me lembro disso.” E a vida de um homem é destruída.

Trump em seguida defendeu Kavanaugh, sem modular a voz como fez ao citar Ford: “E a vida de um homem está em frangalhos. Sua mulher está destruída”, disse, e então se referiu aos que defendem a psicóloga: “Eles destroem pessoas. Querem destruir pessoas. São gente do mal”.

A reação foi imediata

“Inaceitável”, afirmou a republicana Lisa Murkowski, do Alasca, que, ao ser questionada sobre se o comportamento de Trump poderia afetar seu voto, foi direta: “Estou levando tudo em consideração. Os comentários do presidente zombando Ford são totalmente inapropriados”.

O também republicano Jeff Flake, do Arizona, que na semana passada votou no Senado pela aprovação de Kavanaugh, mas pediu a investigação do FBI sobre o caso, também criticou Trump. “Não é correto discutir algo tão delicado num comício. É até chocante. Ele não deveria ter feito isso”, disse Flake.

Susan Collins, do Maine, que ainda não declarou se votará pela aprovação de Kavanaugh, afirmou que o discurso foi “simplesmente errado”.

São três votos que podem fazer a diferença sobre a ida do juiz para a Suprema Corte. O Partido Republicano tem 51 votos, só um a mais que a maioria simples do Senado (de cem legisladores). Se dois mudarem de lado, levando em conta que é certo que nenhum dos democratas votará pelo nomeado de Trump, Kavanaugh não terá êxito. Em caso de empate, o vice-presidente Mike Pence votará. Muito conservador, o juiz poderia garantir décadas de um tribunal mais próximo dos valores republicanos — hoje, são quatro progressistas e quatro conservadores.

A Casa Branca tentou minimizar as falas de Trump

“Ele estava apenas narrando os fatos”, disse a porta-voz Sarah Sanders, para quem os comentários de Trump não arriscam a nomeação do juiz: “O presidente está muito confiante”.

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