Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de novembro de 2026
Os advogados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltaram a pedir a revogação de sua prisão preventiva durante uma reunião realizada nessa terça-feira (3) com um juiz auxiliar do gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. A defesa argumenta que a manutenção da prisão perdeu sua fundamentação legal e que há demora excessiva na análise dos pedidos apresentados no âmbito do Caso Master.
Segundo a coluna de Manoela Alcântara, do portal Metrópoles, os advogados Sérgio Leonardo e Engel Muniz participaram do encontro e apresentaram argumentos para que Vorcaro possa responder às investigações em liberdade, inclusive mediante a imposição de medidas cautelares. A defesa também questionou a legalidade de provas extraídas do telefone celular do empresário.
Durante a reunião, Sérgio Leonardo sustentou que a manutenção da custódia cautelar “perdeu a fundamentação legal e que há um evidente excesso de prazo na medida”.
“Não existe mais nenhum motivo para persistir a prisão preventiva do Daniel Vorcaro. O momento é de superar essa preventiva para que ele possa responder em liberdade com ou sem medidas cautelares, o que o ministro entender conveniente para que ele possa aguardar o transcurso de todas as investigações”, afirmou o advogado.
Um dos principais argumentos apresentados ao gabinete de Fachin diz respeito à duração da prisão preventiva. Segundo Sérgio Leonardo, o prazo de 90 dias previsto para a revisão da necessidade da medida teria expirado em 31 de agosto, sem o surgimento de novos elementos que justificassem sua continuidade.
O defensor também destacou que Vorcaro está submetido a restrições de liberdade desde novembro de 2025 e permanece preso preventivamente desde março deste ano, embora ainda não tenha sido apresentada denúncia contra ele, conforme relatou.
“Vorcaro sofre restrições em sua liberdade desde 17 de novembro do ano passado e permanece preso preventivamente desde 4 de março. Até hoje não há sequer uma denúncia oferecida contra o Daniel Vorcaro. Até semana passada eu podia dizer que não tinha nem indiciamento. Foi feito um indiciamento afoito, açodado, num pedido totalmente contraditório”, declarou Sérgio Leonardo.
A defesa considera que o prolongamento da custódia, associado à ausência de denúncia formal, reforça a necessidade de reavaliar a prisão. O argumento, contudo, depende de apreciação judicial, uma vez que o indiciamento, o oferecimento de denúncia e a prisão preventiva são atos processuais distintos.
Outro ponto apresentado durante o encontro envolve a obtenção e a utilização de dados extraídos do telefone celular de Vorcaro.
De acordo com a defesa, foi incorporado ao processo um laudo que aponta indícios de possível obtenção ilícita de provas retiradas do aparelho. Os advogados sustentam que essa circunstância exige uma verificação técnica oficial sobre os procedimentos utilizados na extração das informações.
A equipe jurídica afirma ter solicitado, desde fevereiro, a realização de uma perícia oficial e o acesso integral aos dados brutos da extração. O objetivo é verificar a regularidade do procedimento e permitir o exame dos elementos utilizados na investigação.
A existência de indícios apontados no laudo, conforme relatado pelos advogados, não equivale a uma decisão judicial reconhecendo a ilicitude das provas.
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