Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de julho de 2015
O empresário da Toyo Setal e delator da Operação Lava-Jato, Júlio Camargo, disse ao juiz Sergio Moro nesta quinta-feira (16) que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu propina de 5 milhões de dólares em um contrato de navios-sonda da Petrobras. No depoimento, prestado em Curitiba (PR), Camargo disse que o pedido de propina teria ocorrido pessoalmente, em uma reunião no Rio. Segundo Cunha, o delator está sendo obrigado a mentir.
É a primeira vez que Camargo, cujo acordo de delação premiada foi homologado em dezembro do ano passado, cita Eduardo Cunha como destinatário da propina.
A informação foi antecipada pelo jornal “O Globo”.
O nome de Eduardo Cunha surgiu quando o delator respondia ao juiz Sergio Moro se vinha sendo pressionado a pagar propina por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB em contratos com a Petrobras.
Camargo contou que procurou Baiano para intermediar um encontro com Eduardo Cunha por causa de requerimentos apresentados na Câmara dos Deputados contra ele, Camargo, e contra a empresa Mitsui.
Pelo relato de Camargo, Cunha teria dito que havia um débito “entre você e o Fernando Baiano”, quando então pediu 5 milhões de dólares, relativos a um contrato de navios-sonda com a Petrobras.
“Tivemos um encontro o deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. Eu fui bastante apreensivo. O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era merecedor de 5 milhões de dólares”, relatou Camargo.
“E que isso [o débito com o operador da propina] estava atrapalhando, porque estava em véspera de campanha, se não me engano era uma campanha municipal, e que ele tinha uma série de compromissos e que eu vinha alongando esse pagamento há bastante tempo e que ele não tinha mais condição de aguardar”, continuou.
O delator foi subitamente interrompido pelo juiz Sergio Moro, dizendo que o tema já era objeto de investigação na Procuradoria-Geral da República e que não deviam detalhar o assunto para não prejudicar a apuração em curso em Brasília.
Julio Camargo então contou que procurou o doleiro Alberto Youssef para tentar contornar o problema criado com o deputado peemedebista.
“O Youssef era sempre uma pessoa presente nas minhas operações. Mas foi nesse caso das sondas que o chamei, porque até então o Fernando Soares indicava as contas nas quais eu devia fazer os depósitos e eu fazia esses depósitos a pedido dele”, disse.
“Quando veio essa emergencia, chamei Alberto, uma pessoa com quem eu tinha um relacionamento de dia a dia e confiança, e senão me engano, até pedi o Alberto se ele conhecia o deputado Eduardo Cunha e eu que estava com problema com o deputado Eduardo Cunha”, relatou.
A “emergência”, segundo o delator, era que Eduardo Cunha não aceitou que se pagasse apenas a parte dele.
“Me organizei porque o deputado Eduardo Cunha não aceitou que eu pagasse somente a parte dele. Ele me disse: “Olha, Júlio, não aceito que pague só a minha parte. Pode até pagar o Fernando mais dilatado, mas o meu eu preciso rapidamente, mas faço questão de você incluir no acordo ainda aquilo que você falta pagar o Fernando e aí chegou entre 8 a 10 milhões de dólares”, disse Camargo.
Uma parte do pagamento da propina ao peemedebista, segundo Camargo, foi feita através do dólar-cabo, uma operação clandestina e ilegal de câmbio e de remessas de recursos.
Segundo Camargo, ele fez depósitos em uma conta de Alberto Youssef no exterior e o doleiro, através de sua empresa GFD Investimentos, repassou reais no Brasil. A operação ajudou Camargo, que estava com problemas de liquidez no País, a levantar rapidamente dinheiro vivo para pagar o suborno.
“Eu paguei através de depósitos ao Alberto no exterior, paguei atraves de operações com a GFD. Parte daqueles recursos foram utilizados para dar liquidez em reais a serem feitos pagos esses pagamentos. Fiz pagamentos diretos às empresas de seu Fernando Soares”, contou.
Leia a íntegra da nota divulgada por Eduardo Cunha:
NOTA À IMPRENSA
“Com relação à suposta nova versão atribuída ao delator Júlio Camargo, tenho a esclarecer o que se segue:
1- O delator já fez vários depoimentos, onde não havia confirmado qualquer fato referente a mim, sendo certo ao menos quatro depoimentos.
2- Após ameaças publicadas em órgãos da imprensa, atribuídas ao Procurador-Geral da República, de anular a sua delação caso não mudasse a versão sobre mim, meus advogados protocolaram petição no STF alertando sobre isso.
3- Desminto com veemência as mentiras do delator e o desafio a prová-las.
4- É muito estranho, às vésperas da eleição do Procurador-Geral da República e às vésperas de pronunciamento meu em rede nacional, que as ameaças ao delator tenham conseguido o efeito desejado pelo Procurador-Geral da República, ou seja, obrigar o delator a mentir.
Deputado Eduardo Cunha
Presidente da Câmara dos Deputados.”
(Folhapress)
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