Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de julho de 2015
O engenheiro e ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça Federal, mediante delação premiada, que o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), antigo aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) atuava como “representante” do peemedebista em supostas negociações de propina.
Diante do juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo penal contra executivos da empreiteira OAS por formação de quadrilha e corrupção em obras de refinarias, Costa detalhou a rotina de corrupção na estatal, com base na divisão de percentuais sobre valores de contratos.
Indagado por um advogado da OAS sobre quem o sustentava politicamente no cargo, o delator declarou que a sua gestão era desempenhada de forma compartilhada entre PP e PMDB, com especial apoio de Calheiros.
Apesar de negar que o senador eventualmente tenha participado de reuniões com empreiteiros, Costa não poupou acusações. “Eu não negociava com Calheiros, mas ele contava com um representante que algumas vezes negociou comigo isso”, acusou o ex-dirigente da Petrobras, atribuindo esse papel ao deputado cearense.
Calheiros, que já é alvo de investigação pela Procuradoria-Geral da República (assim como Gomes), alega que a sua relação com empresas públicas nunca ultrapassou os limites institucionais. Também rejeitou autorizar terceiros a falarem em seu nome.
Gomes, por sua vez, já havia ressaltado jamais ter entregue ou prometido recursos para qualquer pessoa. Em março, quando o seu nome foi citado pela primeira vez nas delações do ex-diretor da Petrobras, o parlamentar afirmou que todas as suas reivindicações são feitas sem ferir relações institucionais. “Nunca estive envolvido em irregularidades junto à Petrobras ou a qualquer outra empresa, seja de forma direta ou indiretamente.” (Marcello Campos com agências)
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