Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de julho de 2015
Delator na Operação Lava-Jato desde dezembro do ano passado, o consultor da Toyo Setal Júlio Camargo disse, em depoimento à Justiça Federal de Curitiba (PR), que vinha omitindo o nome do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em seus depoimentos sobre o escândalo na Petrobras por temer que o presidente da Câmara retaliasse a sua família.
“Todo homem que é responsável é obrigado a ter medo e receio. E uma pessoa que age não diretamente, e tem que ameaçar você através de terceiros, já é uma pessoa a quem deve se ter todo cuidado.”
“Estamos falando de uma pessoa que, dizia ele, tinha o comando de 260 deputados no Congresso – e na eleição para líder do Congresso [presidente da Câmara dos Deputados], na minha opinião, isso se constatou”, continuou. Embora admita não ter recebido nenhuma ameaça diretamente, Camargo afirmou que tinha “receio” de alguma ação contra terceiros.
“[Cunha é] uma pessoa de alto poder de influência. Meu maior receio, qual é? Família, porque quem age dessa maneira pode perfeitamente agir não contra você, mas contra terceiros. A pessoa que é pai de família sabe que machucar um ente querido é pior que machucar a você mesmo. E [Cunha tinha] o poder de influência contra os meus negócios e contra as minhas empresas”, afirmou.
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