Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2015
Omitir supostos crimes relacionados ao ex-ministro José Dirceu e ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), custará uma pequena fortuna ao executivo Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava-Jato. A força-tarefa que investiga desvios na Petrobras quer que ele pague 10 milhões de reais a mais por cada uma de três omissões, todas consideradas graves.
Como Camargo aceitou pagar uma multa de 40 milhões de reais ao celebrar o acordo de delação, a conta final poderá chegar a 70 milhões de reais.
Camargo ficou famoso entre os delatores por ter escondido inicialmente dos investigadores que deu
5 milhões de dólares a Cunha – o que o parlamentar sempre negou.
Ele fez um acordo de delação em outubro de 2014, mas só falou do suposto repasse em julho deste ano, quando a PGR (Procuradoria-Geral da República) ameaçou romper o trato com ele. O valor seria de propina sobre a compra de dois navios-sonda pela estatal, um negócio de mais de 1 bilhão de dólares. Camargo alegou que sofrera ameaças de Cunha para omitir a doação ilícita, o que o deputado também negou.
Camargo também escondeu que repassou 4 milhões de reais a José Dirceu e que vendeu 1/3 de um avião Cessna ao ex-ministro por 1,07 milhão de reais.
O repasse dos 4 milhões de reais só foi revelado à Justiça em julho, nove meses depois dos primeiros depoimentos de Camargo. Ele só não contou a origem dos recursos. Eram parte da propina paga por duas empresas que fornecem mão de obra terceirizada à Petrobras, a Hope e a Personal, de acordo com os investigadores.
Outro delator da Lava-Jato, Milton Pascowitch, ajudou os procuradores a desvendar as omissões. (Folhapress)
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