Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 19 de março de 2016
O ex-líder do governo e senador licenciado Delcídio do Amaral (sem-partido-MS), concedeu entrevista à revista “Veja”, publicada na edição deste fim de semana. Delcídio, que deu depoimentos de delação premiada na Operação Lava-Jato, afirmou na entrevista que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandava o esquema na Petrobras e negociava diretamente com as bancadas dos partidos as nomeações para diretorias da estatal.
“O Lula negociou diretamente com as bancadas as indicações para as diretorias da Petrobras e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das diretorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas. Lula comandava o esquema”, declarou o senador à revista.
Delcídio também disse que o ex-presidente tentou interferir logo nos primeiros passos da Lava-Jato. “Na primeira vez que o Lula me procurou, eu nem era líder do governo. Foi logo depois da prisão do Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras]. Ele estava muito preocupado. Sabia do tamanho do Paulo Roberto na operação, da profusão de negócios fechados por ele e o amplo leque de partidos e políticos que ele atendia. O Lula me disse assim: ‘é bom a gente acompanhar isso aí. Tem muita gente pendurada lá, inclusive do PT’. Na época, ninguém imaginava aonde isso ia chegar”, disse Delcídio.
Na entrevista, Delcídio afirmou ainda que o ex-ministro da Justiça do governo Dilma e atual advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, usava o cargo para vazar informações. “Cardozo faz o jogo que interessa a Dilma. Ele tinha acesso a informações privilegiadas e passava essas informações para Dilma. Vazava para ela operações que seriam realizadas pela Lava Jato. Cardozo soube com antecedência da condução coercitiva de Lula e alertou os principais interessados. Foi por isso que ele vazou um dia antes da minha delação premiada. Ele sabia que uma coisa abafaria a outra”, prosseguiu Delcídio.
O senador contou também que Lula pediu ajuda para definir uma estratégia de defesa na Lava Jato.
A defesa do ex-ministro Edison Lobão informou que todas as reuniões políticas feitas naquela época com a participação do líder do governo ficaram sobre suspeição. A defesa de Renan Calheiros disse que desconhece o teor da entrevista e que por isso não comentará.
A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de José Eduardo Cardozo. O Instituto Lula disse que não comenta “conversa fiada nem delação comprada”. O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, disse que delação premiada não é meio de prova. (AG)
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