Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2021
Na tarde desta quarta-feira (30), horas após a prisão do delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, seis promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) explicaram o que motivou a prisão do policial e outras cinco pessoas na operação Carta de Corso. Segundo a promotoria, o grupo de Demétrio teria lucrado no período de três anos, entre março de 2018 e março de 2021, R$ 1 milhão de reais em propina apenas na Rua Teresa. Os investigadores acreditam que o valor possa ser ainda maior e trabalham agora para detectar as áreas de atuação do agente e de seu grupo.
A promotoria criticou a atuação de Demétrio, que teria usado “da Polícia Civil, do MP, Justiça e imprensa” para atacar seus desafetos. Os promotores afirmam que ele é o líder do esquema, e que o esquema pode ser ainda maior. Ao menos 40 comerciantes teriam sido alvos do bando.
“Nessa operação que levou à prisão do delegado (Maurício) Demétrio, a organização ludibriou o Ministério Público, a Justiça e a imprensa, em uma operação para atrapalhar as investigações”, destacou o chefe do Gaeco, o promotor de Justiça Bruno Gangoni.
O MP descobriu que o delegado estava desde fevereiro em Mangaratiba. Primeiro, ele alugou uma mansão de luxo no condomínio Porto Belíssimo, pela qual pagou R$ 80 mil em dinheiro vivo por dois meses de estadia. Depois, ele alugou outra casa no condomínio Portobello, que pertence ao mesmo complexo residencial. Não há informações sobre o valor pago pelo aluguel da segunda casa. A investigação descobriu, no entanto, que ele pagou uma conta de R$ 35 mil por consumação em bares e outros estabelecimentos do condomínio.
Fabiano Cossermelli, subcorregedor do Gaeco. afirmou que só na casa de Demétrio foram encontrados R$ 240 mil em espécie, além de armas, joias e dinheiro estrangeiro. A vida financeira de Demétrio foi levantado e os agentes afirmam que os gastos são “incompatíveis com o que ele ganha”.
“Por conta das práticas ilícitas, as investigações seguem”, disse o promotor Cossermelli.
O promotor Diogo Erthal lembrou como eram as casas de veraneio de Demétrio. “As imagens mostraram umas das casas do Demétrio no condomínio Portobello, em Mangaratiba. Ela foi alvo de buscas. Lá, confirmamos que o delegado Maurício ocupou essa casa por um tempo, mas havia sido entregue recentemente ao proprietário. Ele alugou uma outra no mesmo condomínio. O valor de aluguel de temporada de dois meses era de R$ 80 mil e foi feito em espécie, antecipadamente. Mansões de luxo pagas em espécie. Levantamos o histórico de consumo naquele resort e, entre fevereiro e junho, foram consumidos R$ 35 mil, pagos em espécie.”
Para o MP, “a Polícia Civil foi transformada em um serviço espúrio desse delegado”. Para o promotor Fábio Oliveira, “o esquema é a ponta do iceberg”.
“Esse é a ponta do iceberg. Houve um desentendimento dos lojistas e ele subverteu a lógica de investigado a perseguidor. Ficou demonstrado que ele, por meio do WhatsApp, negociou camisas, com o conluio do advogado das marcas. Ele tinha uma vida incompatível com o que ele ganhava. Foram identificados algumas manobras”, disse o promotor.
Na Delegacia do Consumidor, os agentes encontraram documentos que, segundo os promotores, mostram quem recebeu a propina.
“Cumprimos mandados na delegacia em que ele foi lotado. Alguns procedimentos investigados por ele foram levados para a sua atual delegacia. Encontramos também documentos que mostram o esquema”, disse o chefe do Gaeco.
Ao ser preso, Maurício Demétrio acusou o Gaeco de retaliação e disse que os valores apreendidos são fruto de herança e que seus carros estão corretamente declarados à Receita Federal. No entanto, a subcoordenadora do Gaeco, Roberta Laplace, diz que Demétrio não apresentou declaração ou documento que comprove a afirmação.
Sobre a fala do delegado, que acusou o Gaeco de estar retaliando, Gangoni disse que “a fala de hoje é mais uma tentativa de ludibriar a imprensa”.
A investigação do MPRJ avançou à medida que lojistas procuraram a instituição para denunciar os feitos dos policiais. Os próximos passos da apuração, que segue sob sigilo, é a possibilidade de Demétrio ter utilizado a estrutura da Polícia Civil para extorquir dinheiro de lojistas em outros pontos do estado do Rio.
Os promotores dizem que o delegado lavava dinheiro comprando itens de luxo e registrava em nome de terceiros, como os carros. Na casa dele, também foram apreendidos 13 telefones celulares.
Para a promotoria, o delegado Marcelo Machado não configura no rol dos investigados e ele acabou sendo vítima de Demétrio.
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