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Brasil Depois de concluir que corre risco de vida, o deputado federal Jean Wyllys aluga carro blindado

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"Ignorante, racista e desonesto" foram algumas das ofensas feitas por Jean Wyllys contra Bolsonaro. (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) está tendo que usar recursos de sua cota parlamentar para pagar o aluguel de R$ 8 mil do carro blindado que passou a ter que usar há oito meses, depois da conclusão, endossada pela Câmara dos Deputados, de que corre risco de vida. A informação é da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

A medida foi adotada pouco depois da morte da vereadora Marielle Franco, colega de Wyllys no PSOL.

No começo, a Câmara bancava os custos. Depois eles foram repassados para o próprio parlamentar.

Além disso, Wyllys é acompanhado permanentemente por uma escolta da polícia legislativa, em qualquer lugar que vá a trabalho. “Estou vivendo pela metade”, afirma ele, que evita compromissos que não sejam ligados à sua atividade parlamentar.

Há alguns dias, a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) concedeu ao deputado medidas cautelares exigindo que o Estado brasileiro zele por sua vida, que estaria “em grave risco”.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) declarou no início do mês que foi transformado em “pária” pela campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e que hoje vive em “cárcere privado” por estar sob permanente proteção policial, devido, segundo ele, a ameaças que recebeu de apoiadores de Bolsonaro. Ativista da causa LGBT e das minorias,  Wyllys fez oposição intensa ao presidente eleito e chegou a cuspir nele, em 2016, durante a votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara.

Wyllys disse recentemente que “a campanha de fake news montada pelos inimigos da democracia que agora chegam ao poder” – e cita o “inexistente “kit gay” – o teria transformado em um “pária” para os eleitores de Bolsonaro, que chamou de “maldito”. “Invadem diariamente minhas redes com dezenas de milhares de xingamentos e ameaças, e colocou minha vida em risco em quase todos os lugares do Brasil”.

Desde março, quando a vereadora do PSOL Marielle Franco foi assassinada, o deputado federal tem escolta policial e só anda com carro blindado. Ele afirma que as ameaças que agora recebe de apoiadores de Bolsonaro limitaram sua vida pessoal e política.

“Estou praticamente em cárcere privado pelas medidas de segurança que fui obrigado a respeitar. Logo, no momento, estou preocupado em me manter vivo, em cuidar da minha saúde que está abalada pelo volume de mentiras e ameaças contra mim. Estou preocupado em sobreviver, em recobrar as forças num País que elegeu o fascismo”, disse.

Reeleito, Wyllys também disse que a sua “luta pela sobrevivência” está ligada à “multiplicação de grupos na internet que estão prometendo assassinar gays”.

A assessoria parlamentar de Bolsonaro disse que quem levou uma facada foi o presidente eleito, que Wyllys chama de fascista. “Coincidências ou não, o terrorista que cometeu o crime, era filiado ao partido do ‘ameaçado de morte’, o PSOL. É aquele velho enredo que a população já percebeu: ‘Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é’. Assim é a linha auxiliar do PT”.

O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo dos Santos, foi filiado ao PSOL de 2007 a 2014. Em nota, o partido repudiou o ataque e cobrou investigação sobre o ataque.

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