Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2023
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) voltou a repercutir em uma live o contato estabelecido com o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em uma transmissão realizada na noite de quinta-feira com o deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO), Zambelli relatou “em primeira mão” sua comunicação com o gabinete. Aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a parlamentar está entre os investigados pela Corte e pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE) por contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a deputada afirmou ter procurado Moraes por ter “expectativa” de ser presa pela Polícia Federal. Zambelli disse que o contato foi também para comentar sobre as pessoas presas em janeiro, em Brasília, durante os atos extremistas à sede dos Três Poderes, em Brasília:
“Foi até uma história engraçada, vou contar aqui (na live) em primeira mão. Eu liguei (para o gabinete) e falei com uma moça, disse a ela que era Carla Zambelli e gostaria de encontrar o Alexandre de Moraes para a gente conversar. Um dos motivos eram os mais de 900 presos de Brasília, para ver se a gente conseguia, de alguma maneira, soltá-los. Eu iria pedir por eles. E também ia tentar falar sobre o Figueiredo e Rodrigo Constantino, pessoas que estão fora do Brasil e, às vezes, não tem nem advogado formado e que precisamos ouvir essas pessoas de volta e desbloquear também os jornalistas”, disse Zambelli.
Segundo a parlamentar, na ligação ao gabinete do ministro, questionou a atendente se era para mandar um e-mail em pedido formal para a conversa com Moraes já que “e-mails costumam vazar” e poderia ser uma conversa informal.
“A atendente foi e disse que ninguém estava acreditando que era eu [risos] então mandei o e-mail. Nunca tive a resposta, mas alguns dias depois minhas redes sociais voltaram e ele (se referindo a Alexandre de Moraes) aproveitou para desarmar. Acho que ele começou a entender que, com a ascensão do Lula, a nossa prioridade muda um pouco”, concluiu a resposta a Gayer sobre a tentativa de contato com o ministro do STF.
As nove redes sociais de Zambelli, Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Telegram, TikTok, Gettr, WhatsApp e LinkedIn, haviam sido suspensas depois de uma ordem do TSE, em 1º de novembro do ano passado, que determinou a suspensão das contas da parlamentar nas redes sociais após ela dizer que as eleições vencidas por Lula foram fraudadas, apoiar o bloqueio de rodovias por bolsonaristas e defender uma “intervenção militar”, mas a deputada afirmou que acredita ter sido por sua “influência” no mundo virtual.
Os perfis foram reativadas no dia 6 de fevereiro deste ano. Na decisão, Moraes apontou que “houve a cessação de divulgação de conteúdos revestidos de ilicitude e tendentes a transgredir a integridade do processo eleitoral”.
Porte de arma
Em janeiro deste ano, a deputada foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por porte ilegal de arma de fogo. A denúncia, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), diz respeito ao episódio em que Zambelli apontou sua arma para um homem em uma rua de São Paulo, em outubro.
Logo nos primeiros dias do ano, em 3 de janeiro, a PF chegou a cumprir um mandado de busca e apreensão em dois endereços de Zambelli. A ordem foi emitida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que mandou a polícia recolher armas que não teriam sido entregues pela parlamentar. Em dezembro de 2022, Gilmar deu 48 horas para a deputada entregá-las às autoridades. Ela disse ter cumprido a ordem após o prazo, porque estava em viagem ao exterior.
No julgamento do recurso apresentado pela defesa de Zambelli contra a decisão que determinou a suspensão do seu porte de armas, Gilmar Mendes afirmou que a deputada só não foi presa em flagrante quando apontou a arma para um homem em uma rua de São Paulo porque tem foro privilegiado. As informações são do jornal O Globo.
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