Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de dezembro de 2023
O deputado republicano George Santos, filho de brasileiros, foi cassado na sexta-feira (1º) pelo plenário da Câmara dos Deputados dos EUA, em uma decisão que contou com o apoio de legisladores do seu partido. Ele havia sobrevivido a duas tentativas anteriores de cassação e anunciado que não concorreria a um novo mandato na eleição do ano que vem, mas até agora se recusava a renunciar. Santos é admirador do ex-presidente americano Donald Trump e do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Foram 311 votos a favor da cassação, sendo que 105 de republicanos, e 114 contra, dois deles de parlamentares democratas. Dois deputados que estiveram no plenário não votaram. A moção foi motivada por uma série de denúncias de desvio e uso indevido de verbas eleitorais, que em vez de financiar a campanha para a Câmara, pagaram, entre outras coisas, tratamentos de beleza e a assinatura de um site de conteúdo adulto
Apesar das alegações de falsificação de currículo, de negócios escusos – inclusive no Brasil, onde ele fechou um acordo, em maio, em um caso de estelionato em Niterói (RJ) – e de recebimento indevido de seguro-desemprego, Santos parecia imune às tentativas de cassação, em sua maioria lideradas pelo Partido Democrata. Pelas regras da Câmara, são necessários dois terços dos votos da Casa para que um deputado perca o mandato. Em novembro, quando ocorreu a segunda votação, apenas 179 parlamentares votaram pela expulsão, enquanto 213 foram contra.
“Ele deveria ter renunciado. Não deveríamos ter chegado a este ponto. Mas está aí. Agora vamos permitir de fato que o terceiro distrito [de Nova York] escolha um deputado. Alguém em quem possam confiar. Alguém que conheçam”, disse ao site Politico o deputado republicano Anthony D’Esposito.
Ainda não há uma data para a votação do substituto de Santos, que cumprirá o restante do mandato. George Santos despontou como uma das grandes e mais simbólicas vitórias do Partido Republicano nas eleições de 2022 – ele se tornou o primeiro gay assumido a se eleger pela sigla para o Congresso, e venceu em um distrito historicamente dominado pelos democratas no estado de Nova York. Na campanha, adotou a linha conservadora, louvando o ex-presidente Donald Trump e o então presidente brasileiro Jair Bolsonaro. No mês passado, uma comitiva de políticos bolsonaristas, incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), se encontrou com Santos em Washington.
Mesmo antes de assumir o cargo, ele foi alvo de denúncias de que seu currículo impecável estava cheio de inverdades. Passagens que ali constavam pelos bancos Citigroup e Goldman Sachs, por exemplo, foram desmentidas pelas próprias instituições, e universidades pelas quais ele disse ter se formado não confirmaram que ele frequentou as aulas. Ele tentou negar as alegações, feitas inicialmente pelo jornal The New York Times, mas acabou cedendo.
Conforme os meses foram passando, as denúncias foram se acumulando. Além das mentiras no currículo, suspeitas de que havia desviado dinheiro de campanha para fins próprios ganharam corpo e motivaram alguns dos 23 processos que ele responde na Justiça Federal americana. Santos chegou a ser detido em maio e precisou pagar fiança de US$ 500 mil para responder os processos em liberdade.
A maré de sorte começou a mudar em 16 de novembro. Um relatório da Comissão de Ética da Câmara, liderada pelo republicano Michael Guest, detalhou em números e nomes as práticas indevidas do deputado. Nas 56 páginas, o documento aponta pagamento de US$ 1,4 mil em um spa em Nova York, em julho de 2022, US$ 4,1 mil em compras na loja de luxo Hermès, US$ 1,5 mil em uma aplicação de botox e, no item que chamou atenção especial, a assinatura de um site de conteúdo adulto. Pelas regras, o dinheiro arrecadado poderia ser apenas usado para atividades de campanha.
Logo depois do anúncio da cassação, Santos pareceu resignado, mas fez críticas à decisão. “Acabou. Eles abriram um novo e perigoso precedente para eles mesmos”, disse a repórteres, na saída do Congresso. “Como não sou mais um membro do Congresso, não tenho mais que responder a perguntas. Essa é uma coisa que levarei comigo para sempre.” As informações são do jornal O Globo.
Os comentários estão desativados.