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Brasil Deputado diz que radialista assassinado apresentando programa ao vivo no Ceará “não valia nada”

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Comentário foi feito no plenário. (Foto: Reprodução)

No dia seguinte ao assassinato do radialista Gleydson Carvalho, o deputado Manoel Duca (PROS) disse, sorrindo, no plenário da Assembleia Legislativa do Ceará, que ele não valia nada. Carvalho foi morto a tiros na quinta-feira, no estúdio da rádio onde trabalhava, na cidade de Camocim, a 379 quilômetros de Fortaleza (CE).
O parlamentar, conhecido como Duquinha, é segundo secretário na Assembleia, mas presidia a sessão quando o deputado Ely Aguiar (PSDC), que é radialista, rendia uma homenagem à vítima e chamava a atenção para o elevado número, cinco, de profissionais do rádio assassinados no último ano. Foi quando fez um aparte. “Com todo respeito a você, Ely, mas esse era coisa muito ruim. Com todo respeito, esse aí não valia nada”, disse Duquinha. O episódio foi registrado pela TV Assembleia do Ceará.

O deputado confirmou a história ao jornal O Estado de S.Paulo. “Disse e assino embaixo”, afirmou. “Ele não prestava mesmo. Pode dizer em seu jornal aí”, disse novamente sorrindo. “Era um mentiroso e só fazia inimigos.” Questionado se não seria um desrespeito fazer o comentário no dia seguinte à morte do radialista, Duca disse: “Falava com ele vivo e falo com ele morto. Tanto faz”.
Aguiar lamentou o episódio. “Foi um momento infeliz”, disse.
Duquinha é irmão do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), citado pelo delator da Operação Lava-Jato, Paulo Roberto Costa, como emissário do presidente do Senado, Renan Calheiros, para cobrança de propinas junto à diretoria de Abastecimento da estatal.
Os irmãos, que têm fama de truculentos no Ceará, têm base eleitoral na região de Acaraú, no Noroeste do Estado, a 253 quilômetros de Fortaleza, onde Gleydson Carvalho já trabalhou.
Na década de 1990, ambos foram processados, suspeitos de serem mandantes da morte do prefeito da cidade, João Jaime Ferreira Gomes, que anos antes havia denunciado os irmãos por desvios de recursos, esquema de propinas e assassinatos. Questionado, Duquinha afirmou que o processo foi arquivado. “Tá arquivado. Não misture as coisas não, cara.” (AE)

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