Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020

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Brasil Deputados rejeitam convocação de Geddel para se explicar na Câmara

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Geddel Vieira Lima (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por 17 votos a três, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara rejeitou nesta quarta-feira (23) requerimento apresentado pelo PT para que o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) fosse convocado ao colegiado para explicar a denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de que ele o teria pressionado a produzir um parecer técnico para liberar a construção de um prédio no qual adquiriu um apartamento.

Votaram a favor do requerimento apenas três deputados do PT: Adelmo Leão (MG), Paulão (AL) e Jorge Solla (BA), que apresentou o requerimento.

Os que votaram para que a convocação fosse derrotada são do PMDB, partido de Geddel, PP, PTB, Pros, PR, PRB, PV, DEM, PSDB e SD.

“Ele [Geddel] acha que não é nada demais prevaricar. Ele acha normal tentar mudar um parecer de um órgão público para fins pessoais”, disse Solla antes da votação.

“Se um ministro de estado não puder ligar para um colega seu para tirar uma dúvida ou tratar de qualquer assunto, vamos ficar reféns da política”, afirmou Cacá Leão (PP-BA). “Tenho certeza absoluta que não houve crime nesta questão. O que tinha que ser dito já foi dito. Acho que a gente tem coisa mais importante para ser feita”,
completou.

Amigo

Amigo de Geddel Vieira Lima, o conselheiro José Saraiva, da Comissão de Ética da Presidência da República, declarou-se nesta quarta-feira (23) impedido de analisar o procedimento de investigação contra o ministro da Secretaria de Governo.

Em representação, enviada ao órgão federal, o conselheiro pediu seu afastamento do caso devido a “suspeição por fatos supervenientes” presentes em “questionamentos divulgados em veículos de comunicação”.

Nesta quarta-feira (23), o jornal Folha de S.Paulo revelou que o conselheiro, que foi indicado para o posto com o apoio do próprio ministro, é advogado da Ademi (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) da Bahia, entidade que representa as construtoras na unidade da federação.

Entre suas associadas, está a Cosbat, dona do empreendimento La Vue Ladeira da Barra, em Salvador, onde Geddel adquiriu um apartamento.

Segundo o jornal apurou, o afastamento de Saraiva deveu-se a uma pedido do próprio Palácio do Planalto, que avaliou que a sua permanência no caso causaria mais desgaste para a imagem do ministro. Saraiva foi o último conselheiro a ser nomeado para a comissão de ética, no início de setembro, já pelo governo do presidente Michel Temer. Os anteriores foram escolhidos pela administração Dilma Rousseff.

Advogado com atuação em Brasília e na Bahia, o conselheiro é professor de direito processual em Brasília e já advogou para o DEM e para o PSDB, partidos que integram o governo peemedebista.

Em 2012, recebeu o título de cidadão soteropolitano pela Câmara Municipal de Salvador, em uma homenagem proposta pelo então presidente Pedro Godinho (PMDB-BA), aliado de Geddel.

Nessa terça-feira (22), a Comissão de Ética da Presidência da República distribuiu a relatoria da investigação contra o ministro Geddel Vieira Lima para o conselheiro Marcelo Figueiredo.

Ele foi nomeado no governo da ex-presidente Dilma Rousseff e votou a favor da abertura do procedimento investigatório.

O esforço do órgão federal é de conseguir concluir a análise do caso no dia 14 de dezembro, última reunião marcada no ano.

Caso não seja possível, há conselheiros que defendem a convocação de uma reunião extraordinária para tratar do tema.

O ministro foi notificado da abertura do procedimento investigatório na segunda-feira (21) e tem prazo até a semana que vem para apresentar a sua defesa. (Folhapress)

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