Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de dezembro de 2018
A desarticulação interna pode ter liquidado as chances de o PSL integrar um bloco com força para ocupar espaços na Mesa Diretora da Câmara. A demora da sigla em iniciar conversas com Rodrigo Maia (DEM-RJ) —que age para se reeleger presidente da Casa— abriu espaço para que ele negociasse as principais vagas com outras legendas, fechando um grupo que, hoje, consegue entregar cerca de 250 votos. A meta é garantir 280, assegurando a vitória com ou sem o aval do partido de Jair Bolsonaro. A informação é da coluna Painel de Daniela Lima na Folha de S.Paulo.
Para vencer a eleição do comando da Câmara no primeiro turno são necessários 257 votos. Na reunião que teve com Maia, parte da cúpula do PSL reivindicou uma vice-presidência e a coordenação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O democrata avisou que esses espaços já estavam reservados.
Mesmo com a articulação do bloco, Maia tem feito conversas individuais ou com até três parlamentares de cada partido, numa tentativa de fidelizar votos. Ele foi aconselhado por aliados a usar o mês de janeiro para viajar pelo País e manter a rotina de reuniões com as bancadas eleitas em cada Estado.
Maia não descarta o risco de uma ofensiva de outros candidatos, estimulada inclusive pelo PSL. Mas integrantes do partido de Bolsonaro dizem que só uma ação direta do presidente eleito seria capaz de unificar o discurso e as ações da sigla —o que ele não parece disposto a fazer.
Reeleito pela sexta vez
O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), elegeu-se pela sexta vez deputado federal nas últimas eleições. Ele conquistou uma das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara, deixando para trás mais de mil candidatos.
Aos 48 anos, Maia flertou com a possibilidade de ser um dos postulantes à Presidência da República, mas desistiu da empreitada e declarou apoio a Geraldo Alckmin (PSDB), assim como outros partidos do centrão.
Antes de iniciar a campanha, o filho de Cesar Maia participou do processo que permitiu que o Rio aderisse ao RRF (Regime de Recuperação Fiscal). Rodrigo Maia foi às lágrimas quando assinou o documento, em cerimônia antecipada para que ele, substituindo Michel Temer (MDB), em viagem oficial à China, pudesse fazê-lo de próprio punho.
No meio do caminho, Maia se viu metido em uma polêmica com o guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL). Em uma reunião privada, o economista Paulo Guedes disse ter conversado com o presidente da Câmara para que os partidos ganhassem “superpoderes”, em um eventual governo do candidato do PSL.
Segundo o jornal O Globo, a ideia era que os partidos se sobressaíssem aos parlamentares. Durante a votação de um projeto de lei, por exemplo, se a maioria dos integrantes de uma legenda votasse pela aprovação, os votos contrários passariam a ser computados como favoráveis.
A suposta proposta pegou mal, e o candidato do DEM negou ter havido a conversa com o guru econômico. “Não posso falar sobre o que não conheço. Pela imprensa, parece uma ideia ruim”, afirmou. Guedes não se posicionou sobre o assunto.
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