Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de outubro de 2020
O prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2020 foi concedido nesta segunda-feira (05) a Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice pela descoberta do vírus da hepatite C.
O trabalho que mais tarde levou ao isolamento do vírus começou com o americano Alter em 1972, que na época trabalhava nos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês). O pesquisador trabalhou na triagem de pacientes para identificar vítimas do vírus da hepatite B, recém-descoberto.
Trabalhando com identificação de potenciais vítimas desse outro vírus em triagem num banco de sangue, ele demonstrou que uma parte considerável dos pacientes que adquiriam problemas no fígado após transfusões pareciam ser vítimas de um outro patógeno, desconhecido até então.
Mais tarde, o britânico Houghton, que trabalhava na empresa farmacêutica Chiron, conseguiu clonar fragmentos do RNA do vírus da hepatite C a partir do sangue de um chimpanzé infectado. Combinando o material com anticorpos de pacientes humanos infectados, o pesquisador mostrou que a doença estava ligada a um retrovírus específico, em 1989.
Faltava ainda, porém, provar que era esse vírus que estava causando a doença. Em 1997, Rice, da Universidade Washington de St. Louis (EUA), conseguiu provocar a enfermidade em chimpanzés usando apenas um patógeno artificial reconstruído a partir do RNA do vírus da hepatite C, mostrando que ele era o culpado pela deterioração crônica do fígado dos pacientes a partir do qual fora isolado.
Thomas Perlmann, secretário-geral do comitê do Nobel, justificou a concessão do prêmio aos três pesquisadores dizendo que o vírus afeta milhões de pessoas. O trabalho dos três cientistas levou ao estabelecimento de testes diagnósticos que permitem a implementação de medidas preventivas e, mais recentemente, a terapias efetivas contra o vírus.
Cada um dos ganhadores do Nobel deste ano receberá uma parcela do prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,1 milhão, ou R$ 5,7 milhões), dividido em três partes iguais.
Nenhum dos três pesquisadores permanece na instituição em que estava quando fez a descoberta premiada. Rice, de 68 anos, está hoje na Universidade Rockefeller, de Nova York. Houghton está na Universidade de Alberta, no Canadá. Alter, hoje com 85 anos, permaneceu no NIH até se aposentar.
O Nobel de Medicina deste ano excluiu da lista um quarto possível vencedor, Michael Sofia, um dos inventores do sofosbuvir, a droga mais eficaz para tratar a hepatite C hoje. Pelas regras da premiação, o Karolinska nunca reparte um prêmio entre mais de três pessoas. Sofia, que hoje dirige a empresa Arbutus Biopharma, recebeu em maio o Prêmio Cameron, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que frequentemente é um passo inicial para futuros vencedores do Nobel.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula em quase 70 milhões o número de infecções por hepatite C, que provoca 400.000 mortes por ano.
O anúncio do prêmio foi feito nesta manhã no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), instituição que administra a premiação. A sequência dos Nobel de 2020 continua ao longo desta semana.
Os comentários estão desativados.